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Investidores se afastam dos EUA em meio a dívida recorde, sanções e perda de confiança
O declínio na atratividade dos títulos norte-americanos avança.
Investidores globais ampliam a distância dos EUA diante da dívida crescente, do uso de sanções e da perda de força do dólar, enquanto países reduzem exposição a títulos norte-americanos, buscam alternativas digitais e repatriam ouro, sinalizando fissuras na hegemonia econômica do país.
De acordo com um artigo publicado em um jornal de grande circulação nos EUA, a relutância crescente de investidores globais em relação aos títulos norte-americanos, somada às discussões sobre a perda de força do dólar e à retirada de reservas de ouro de cofres nos EUA, sinaliza um movimento internacional de distanciamento econômico.
A dívida de US$ 40 trilhões (mais de R$ 224 trilhões), o uso frequente de sanções e a instabilidade institucional sob a administração de Donald Trump alimentam dúvidas sobre a atratividade do país como porto seguro para reservas internacionais.
Apesar disso, os EUA ainda atraem capital privado, impulsionado por mercados financeiros robustos e pela expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Recentemente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, defendeu no Congresso a solidez do sistema financeiro, afirmando que os leilões de títulos seguem fortes e que o dólar mantém sua relevância nas transações globais.
Mesmo com esse discurso, fissuras se tornam evidentes no mercado de títulos enquanto rendimentos de papéis de 10 anos ultrapassaram 5%, o maior nível desde 2007. Porém, a instabilidade aumentou após o Tesouro recomprar US$ 5,2 bilhões (cerca de R$ 29,1 bilhões) em títulos de longo prazo para tentar conter a escalada rápida e contínua nos rendimentos.
Mas, a preocupação fiscal de longo prazo levou países a reverem sua exposição aos EUA. Segundo o artigo, a queda da participação do dólar nas reservas globais reacendeu debates sobre alternativas à moeda norte-americana.
Outro ponto que denota o enfraquecimento do sistema econômico dos EUA é o uso intensivo de sanções como ferramenta de política externa. A Operation Economic Outcast (Operação Pária Econômico), lançada por Bessent para sufocar a economia iraniana, ameaça impor sanções secundárias a países parceiros de Teerã. Foi o próprio secretário quem chegou a admitir que havia, contudo, o risco de "implodir o sistema financeiro global".
Paralelamente, China, Rússia e Índia avançam em plataformas de moedas digitais para transações internacionais, reduzindo dependência do dólar e de instituições ocidentais. No mundo, reforça a publicação, cresce a busca por ouro como proteção contra instabilidade, o que fez com que o metal superasse os Treasuries nas reservas globais e Estados como Países Baixos e França movessem toneladas do metal dos EUA alegando riscos geopolíticos.
Segundo especialistas consultados pela mídia, governos e empresas precisam agora considerar o impacto potencial caso os Estados Unidos decidam direcionar sua pressão econômica contra eles, um cenário que antes parecia improvável.
Por Sputinik Brasil
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