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IGP-10 de setembro refletiu aumento das incertezas climáticas com o El Niño, afirma FGV

Alta de 1,47% é impulsionada por preocupação com safra de grãos.

Estadao Conteudo 16/09/2026
IGP-10 de setembro refletiu aumento das incertezas climáticas com o El Niño, afirma FGV
IGP - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) registrou alta de 1,47% em setembro, após uma queda de 0,51% em agosto. Essa elevação foi atribuída ao aumento das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE).

Matheus Dias, economista do FGV Ibre, destacou que a alta do IGP-10 foi liderada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado. O IPA avançou 1,90% em setembro, recuperando-se de uma queda de 0,69% em agosto.

De acordo com Dias, a reversão na trajetória da taxa sugere uma antecipação nas compras de grãos, em resposta às incertezas da indústria sobre os efeitos do fenômeno climático.

"O IGP-10 de setembro teve alta predominantemente liderada pelo IPA. Entre os produtos agropecuários, a movimentação foi em parte ocasionada pelo aumento das incertezas climáticas em decorrência do fortalecimento do El Niño. Seus impactos sobre a safra brasileira de grãos ainda não estão totalmente delineados, uma vez que o plantio da temporada 2026/27 está apenas iniciando. Contudo, a expectativa de um evento climático intenso aumentou o prêmio de risco e motivou ações de antecipação de compras por parte das empresas que consomem grãos, influenciando a pressão sobre os preços entre agosto e setembro", afirmou em comunicado.

O FGV Ibre também ressaltou a volatilidade nas commodities da Indústria Extrativa, que têm respondido aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Nos preços ao consumidor, a tarifa de energia elétrica residencial destacou-se com um aumento de 7%, consequência do término do efeito do bônus de Itaipu. O IPC subiu 0,44% em setembro, após uma queda de 0,47% em agosto. O reajuste nacional da tabela de cigarros também contribuiu para essa alta.

No Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), os condutores elétricos continuam em alta, acumulando 23% em 12 meses. Esse movimento segue a valorização do cobre, principal matéria-prima, "em um cenário de restrições à expansão da oferta mundial e aumento da demanda, relacionados à eletrificação, à expansão das redes elétricas e aos investimentos em infraestrutura para centros de dados e inteligência artificial", explica Dias.

Em setembro, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve alta de 0,50%, inferior à taxa de 0,65% registrada em agosto.