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Durigan: Rubio é mais perigoso que Trump ao Brasil, devido ao vínculo com a família Bolsonaro

Ministro da Fazenda analisa riscos à estabilidade institucional

Estadao Conteudo 15/09/2026
Durigan: Rubio é mais perigoso que Trump ao Brasil, devido ao vínculo com a família Bolsonaro
Ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Reprodução

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou à revista Piauí que o maior perigo para o Brasil não advém do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mantém uma "boa relação" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar das tensões com a China, a Rússia e o Oriente Médio. Segundo Durigan, o real risco provém do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que direciona sua atenção à América Latina, especialmente ao Brasil. "Rubio, sim, tem compromisso com a família Bolsonaro. Trata-se de uma instrumentalização por meio dele. Acho que nosso maior problema vem daí", declarou o ministro.

Durante as negociações acerca das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, Durigan relatou que Lula solicitou a Trump que não interferisse nas eleições brasileiras, e o americano garantiu que não o faria.

O ministro também criticou a atuação do Congresso em relação ao orçamento, citando o aumento das emendas parlamentares. "A boca do jacaré aumentou. Estamos gastando R$ 50 bilhões com emendas. É isso, entendeu? Esse é o desarranjo fiscal. Ele está casado com o desarranjo institucional do País", considerou.

“Pergunto ao mercado: vocês realmente acreditam que a família Bolsonaro seja capaz de garantir o equilíbrio institucional do País e criar condições fiscais, políticas e sociais para o futuro? É nisso que o mercado está apostando? Do meu ponto de vista, não faz sentido", prosseguiu.

Sobre as metas de resultado primário, Durigan afirmou que não acredita ser possível gerar imediatamente um superávit de 2%, como alguns defendem. "Mas, se avançarmos gradualmente - para 0,6% no próximo ano e cerca de 1% nos anos seguintes -, poderemos recuperar a credibilidade e o grau de investimento sem perder a legitimidade social. Sem esse equilíbrio, o País voltará à polarização, a um Fla-Flu, e à instabilidade, o que seria ruim para todos.", completou.

O atual titular da Fazenda também defendeu sua gestão e a do antecessor, Fernando Haddad (PT), negando acusações de aumento exagerado de tributos. "Isso se fala porque retomamos o patamar de receita a um nível que volta a superar o patamar de despesa do País. E agora precisamos de uma série mais longa para mostrar essa credibilidade. A gente volta a ter condições de fazer superávit, comprar reserva internacional, encarar o mundo.