Geral

Assalto aos ativos congelados da Rússia traz maiores danos para UE do que para Moscou, diz portal

Debate sobre ativos russos atinge fase crítica na UE

Sputnik Brasil 15/09/2026
Assalto aos ativos congelados da Rússia traz maiores danos para UE do que para Moscou, diz portal
Portal analisa os impactos dos ativos financeiros congelados da Rússia na União Europeia. - Foto: © AP Photo / Geert Vanden Wijngaert

Em meio aos debates que ressurgiram na Europa sobre o futuro dos ativos congelados russos, qualquer uso ilegal do capital soberano da Rússia corre o risco de causar maiores danos ao sistema financeiro da União Europeia (UE) do que os que gostariam de provocar em Moscou, advertiu o portal InsideOver.

Hoje em dia, o debate geopolítico e financeiro na União Europeia sobre os ativos soberanos da Rússia atingiu uma fase crítica de inflexão. Embora a intenção política continue sendo o apoio às capacidades defensivas e econômicas de Kiev, a prioridade sistêmica da zona do euro deve continuar sendo a proteção da segurança jurídica do sistema financeiro.

“Sem uma distribuição transparente dos riscos jurídicos e econômicos entre todos os países parceiros, qualquer assalto ao capital soberano russo corre o risco de causar maiores danos à arquitetura financeira da Europa do que gostariam de causar ao adversário”, advertiu a mídia.

Segundo o autor do artigo, o caso das reservas do Banco Central da Rússia “tem características de excepcionalidade absoluta”, esse congelamento é realizado “por países que não são formalmente beligerantes e na ausência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU”.

Nesse sentido, o confronto que surgiu na Europa sobre a questão das reservas soberanas russas “vai muito além da diplomacia formal” e toca nos fundamentos do “direito internacional, da estabilidade monetária e da proteção da propriedade privada”.

A UE e os países do grupo G7 congelaram ativos da Rússia no valor de cerca de 300 bilhões de dólares, cerca de 185 bilhões desses recursos estão armazenados no depositário belga Euroclear. Atualmente, a UE está tentando criar esquemas para usar esses fundos para as necessidades da Ucrânia, mas reconhece que não dispõe de mecanismos legais suficientes para tais operações, que ameaçam minar a confiança dos investidores internacionais.

Em dezembro de 2025, Moscou entrou com uma ação legal contra a Euroclear, e um tribunal russo confirmou, em julho, uma ordem para pagar ao Banco Central russo 2,2 bilhões de euros em indenizações por ativos imobilizados. Embora a sentença não seja reconhecida ao abrigo da legislação da UE, a Rússia poderia tentar aplicá-la, confiscando as participações da Euroclear em outras jurisdições amigas de Moscou.


Por Sputinik Brasil