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Projeto científico dos EUA busca aumentar tempo de vida dos cachorros; entenda
A iniciativa investiga como genes e ambiente influenciam o envelhecimento canino.
Quem tem um cachorro sabe o quanto é duro ter que dizer adeus ao seu melhor amigo após dez a quinze anos - a expectativa de vida desses animais de estimação. Por isso, cientistas dos EUA criaram o Projeto Envelhecimento Canino para entender como uma combinação complexa entre genes, estilo de vida e ambiente influencia o envelhecimento dos cães. Pelo menos 55 mil cães participam do estudo.
Em artigo publicado recentemente na Nature, os cientistas do projeto, apoiado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, afirmam que o trabalho também visa compreender alguns dos mecanismos do envelhecimento humano. A maior parte do que se sabe sobre a biologia do envelhecimento provém de estudos laboratoriais com mamíferos, como camundongos e ratos, e invertebrados, como moscas-das-frutas e nematódeos.
Para aprofundar a compreensão de como os genes e o ambiente afetam o envelhecimento fora do laboratório - mais próximos das nossas próprias experiências de vida - e para gerar conhecimento que possa ser traduzido mais facilmente para o envelhecimento humano, o projeto decidiu incluir o cão de companhia.
O cão de companhia é considerado um animal ideal para o estudo do envelhecimento biológico por especialistas, uma vez que é uma das espécies mais variáveis em termos de tamanho, formato e comportamento. Assim como os humanos, os cães apresentam variações na expectativa de vida e no espectro de doenças que provavelmente enfrentarão.
Os cães também vivenciam quase todos os declínios funcionais e doenças do envelhecimento que afetam as pessoas, e essas enfermidades são diagnosticadas e tratadas dentro de um sistema de saúde que se assemelha ao dos humanos. Além disso, os cães compartilham o ambiente humano e, como envelhecem mais rapidamente do que nós, oferecem oportunidades únicas para estudos longitudinais e de intervenção.
As populações de estudo integradas ao projeto consistem em cães de todas as raças (puras e mistas), idades, tamanhos e sexos. O projeto inclui um ensaio clínico em cães que envolve um tratamento de um ano, consistindo na administração de baixas doses semanais de rapamicina, um novo fármaco que demonstrou prolongar a vida útil e melhorar a saúde dos camundongos em até 25%.
A intenção é testar a hipótese de que este composto pode aumentar a expectativa de vida, melhorar as funções cardíacas e cognitivas e reduzir a incidência de doenças relacionadas à idade em cães de grande porte e de meia-idade. Este representa o primeiro ensaio clínico de um medicamento com métricas de tempo de vida e saúde como desfechos em qualquer espécie fora de um laboratório.
Os cientistas também estão coletando históricos médicos, dados ambientais e sequenciamento de todo o genoma dos animais, além da coleta regular de amostras de sangue, urina, pelo e fezes. Com esse volume de informações, os especialistas esperam ter ferramentas para avaliar, por exemplo, quão bem um determinado cachorro está envelhecendo e preparar o terreno para estudar fatores que influenciam o envelhecimento normal.
Os dados do sequenciamento completo do genoma dos animais, por sua vez, auxiliarão na identificação de variantes genéticas, fatores ambientais e de estilo de vida. Os pesquisadores já sequenciaram os genomas de mais de dez mil cães.
A partir de todos esses dados, os cientistas pretendem criar um modelo biológico do envelhecimento canino através da medição anual da fisiologia dos animais - desde o organismo como um todo, via medições físicas, até o nível molecular, por meio da coleta e análise de sangue e outros fluidos.
Esses dados gerarão biomarcadores preditivos e prognósticos do envelhecimento e destacarão fatores causais que explicam os mecanismos pelos quais fatores genéticos ou ambientais específicos influenciam o envelhecimento. Esses biomarcadores também serão úteis para estudos clínicos no desenvolvimento de terapias antienvelhecimento.
Além de contribuir de maneira significativa para a medicina veterinária, os objetivos ambiciosos definidos pela iniciativa de pesquisa do projeto têm o potencial de transformar o campo da pesquisa sobre o envelhecimento.
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