Geral
25 anos do 11 de Setembro: marcos que redefiniram a geopolítica do Oriente Médio
Impactos duradouros na política externa dos EUA e conflitos regionais
Os atentados de 11 de setembro de 2001 deram início a uma profunda transformação na política externa dos Estados Unidos e desencadearam uma série de intervenções militares que alteraram o equilíbrio de poder no Oriente Médio e em outras regiões, com repercussões que perduram até hoje.
A Sputnik Brasil listou os principais marcos que redefiniram o Oriente Médio após 25 anos do atentado, que começou com a invasão do Afeganistão em 2001:
Invasão do Afeganistão (2001)
Após os atentados, os EUA identificaram a Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), liderada por Osama bin Laden, como responsável pelos ataques. Como a organização mantinha bases no Afeganistão sob proteção do regime Talibã, Washington iniciou uma intervenção militar em 7 de outubro de 2001 com o apoio do Reino Unido e outros aliados, mas não conseguiu capturar Bin Laden nem eliminar a Al-Qaeda.
Apenas dez anos depois, em 2011, Bin Laden foi morto pelos Estados Unidos em uma operação a 120 km da capital do Paquistão, Islamabad.
O conflito se transformou em uma longa guerra e se tornou um dos principais símbolos da chamada "Guerra ao Terror", com consequências que ultrapassaram as fronteiras do país. A presença militar americana se estendeu por duas décadas, enquanto o Talibã recuperava gradualmente sua força.
Em agosto de 2021, após a retirada das tropas estadunidenses, o grupo retomou o controle de Cabul e voltou ao poder. O episódio influenciou profundamente a política do Oriente Médio, contribuindo para a criação de um ambiente que posteriormente incluiria a invasão do Iraque, em 2003.
Invasão do Iraque (2003)
Dois anos depois da invasão do Iraque, em março de 2003, os EUA, novamente com apoio principalmente do Reino Unido, invadiram o Iraque sob a justificativa de que o governo do presidente Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.
Sem o aval do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a operação derrubou o governo iraquiano e levou à captura de Hussein, mas as supostas armas nunca foram encontradas. A ocupação provocou o enfraquecimento das instituições do Estado, o aumento da violência sectária entre sunitas e xiitas e o surgimento de uma forte insurgência contra as forças estrangeiras e o novo governo iraquiano.
O enfraquecimento do Iraque, durante décadas uma das principais potências militares árabes, abriu espaço para o crescimento da influência do Irã na região e contribuiu para a expansão de grupos jihadistas, que posteriormente favoreceriam o surgimento do Estado Islâmico (organização terrorista proibida na Rússia e em vários países). Além disso, a invasão deteriorou a imagem dos EUA em grande parte do mundo árabe e alimentou novas tensões políticas e religiosas.
Primavera Árabe (2010–2012)
A Primavera Árabe foi uma onda de protestos e mobilizações populares que começou no final de 2010, na Tunísia, e rapidamente se espalhou por países do Oriente Médio e do Norte da África. Governos de longa duração foram derrubados na Tunísia e no Egito, enquanto países como Líbia, Síria e Iémen mergulharam em conflitos e guerras civis.
Em 19 de março de 2011, tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizaram uma intervenção militar na Líbia. A intervenção foi justificada para proteger a população local com aval do Conselho de Segurança da ONU. As ações, entretanto, culminaram na queda e na morte do líder do país, Muammar Kadhafi, assasinado após ser espancado por uma multidão.
A guerra civil na Síria transformou-se em um conflito internacional envolvendo diferentes potências e grupos armados.
Acordos de Abraão (2020 em diante)
Anunciados em 2020, os acordos buscaram normalizar as relações entre Israel e países árabes. Inicialmente, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein anunciaram acordos diplomáticos com Israel, acompanhados pelo Marrocos e pelo Sudão.
A nova arquitetura regional alterou as alianças tradicionais do Oriente Médio. Também normalizaram relações com Israel, Turquia, Egito e Jordânia. Entretanto, o conflito entre Hamas e Israel, iniciado em 7 de outubro de 2023, juntamente com a destruição da Faixa de Gaza, recolocou a questão palestina no centro da política regional, dificultando novas iniciativas de normalização.
Do Iraque ao Irã (2026)
O evento mais recente que dá seguimento à geopolítica orquestrada pelos EUA desde o atentado de 11 de setembro diz respeito ao confronto do atual governo de Donald Trump com o Irã, que provocou a morte de sua principal liderança, o aiatolá Ali Khamenei, em mais uma intervenção direta que acirrou as tensões em todo o Oriente Médio.
Em uma nova medida intervencionista no Oriente Médio, os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irã, que provocou a morte de Khamenei no primeiro dia de operação, mas que também levou a uma reação que Washington não calculava, pois, em vez de desestabilizar o regime, e pese as limitações militares, os episódios apontam para o fortalecimento do governo persa e o enfraquecimento do governo Trump.
Por Sputnik Brasil
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