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Lula defende mandato para ministros do STF

Presidente critica vazamentos e propõe abertura de sigilos em investigações.

Sputnik Brasil 10/09/2026
Lula defende mandato para ministros do STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Presidente afirmou que todos os envolvidos em suspeitas devem ser investigados e defendeu abertura dos sigilos dos casos Banco Master e INSS; candidato também apresentou propostas para economia, educação e segurança pública.

Em sabatina na noite de quinta-feira (10) ao veículo SBT News, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a Corte precisa recuperar a credibilidade diante da sociedade. O candidato à reeleição também comentou a crise envolvendo o tribunal, as investigações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de apresentar propostas para um eventual novo mandato.

Questionado sobre a possibilidade de a crise no STF estar afetando sua campanha eleitoral, Lula afirmou que investigações da Suprema Corte não deveriam interferir na disputa, mas criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" de informações sigilosas. Para o presidente, a divulgação parcial de informações durante o período eleitoral pode prejudicar tanto a política quanto a credibilidade do Judiciário.

Lula avaliou positivamente a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, e afirmou que o ministro deve assumir o processo e "colocar ordem na casa". Segundo o presidente, as investigações devem apurar todos os fatos e divulgar as informações, independentemente de quem seja atingido. Para ele, não deve haver distinção entre autoridades e demais cidadãos quando houver suspeitas de irregularidades.

"Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar."

O presidente também defendeu a abertura dos sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master e ao caso do INSS. Lula afirmou que não considera adequada a divulgação de "meias informações" que possam criar suspeitas sem esclarecer os responsáveis pelos eventuais crimes.

"Eu sou favorável a abrir tudo, toda vez que tiver uma denúncia, que estiver envolvendo o Poder Judiciário, que estiver envolvendo a política, que se abra."

Sobre o Banco Master, Lula disse que o banqueiro Daniel Vorcaro alegava estar sendo perseguido e que respondeu que o banco seria investigado da mesma maneira que qualquer outra instituição financeira. O presidente também reforçou que o Banco Master foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro e que a instituição foi fechada durante seu governo. Segundo ele, a prisão de Vorcaro e as investigações conduzidas pela Polícia Federal durante sua gestão são um diferencial de seu governo.

Ao falar sobre a Polícia Federal, Lula defendeu o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e afirmou que ele continua sendo de sua "total confiança". O presidente disse que a PF realizou um trabalho "extraordinário" durante a atual gestão e que eventuais erros cometidos por Rodrigues devem ser investigados e julgados.

Mandato para ministros do STF

Questionado sobre a reforma do Poder Judiciário prevista em seu programa de governo, Lula afirmou que pretende discutir mudanças com a sociedade e defendeu especificamente a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros do STF.

"Eu, sinceramente, hoje acho que é preciso discutir o mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo", declarou. O presidente citou períodos de oito ou 12 anos como possibilidades, mas afirmou que ainda não há uma proposta fechada.

Lula disse ainda que pretende promover uma reforma no Poder Judiciário "da primeira à última instância", mas ressaltou que as medidas específicas deverão ser definidas após diálogo com a sociedade.

Economia e educação

Na área econômica, Lula rejeitou as críticas de falta de responsabilidade fiscal e afirmou que seu governo recebeu as contas públicas com déficit de 2,8% e pretende entregar um resultado de 0,1% de superávit. O presidente também criticou o mercado financeiro, dizendo que a chamada Faria Lima prioriza os juros em detrimento de investimentos sociais.

O candidato afirmou que pretende ampliar os investimentos em educação em um eventual novo mandato, com expansão das escolas de tempo integral, do ensino médio e de cursos voltados para áreas como inteligência artificial, minerais críticos e tecnologia.

Lula afirmou que pretende ampliar de 140 para 802 o número de institutos federais até o fim de seu atual governo e disse que quer chegar a mil unidades. Também defendeu a expansão das universidades federais e afirmou que a educação deve ser tratada como investimento, e não como gasto.

Pesquisas eleitorais

Questionado sobre a queda de sua intenção de voto em algumas pesquisas, Lula afirmou que os levantamentos não o preocupam e que só considera o resultado das eleições após a apuração dos votos.

"Eu só sinto que eu perdi voto depois das eleições apuradas", afirmou. O presidente disse que as pesquisas servem como um instrumento para orientar a campanha, mas criticou o volume de levantamentos divulgados durante o período eleitoral.

Lula afirmou que seu principal objetivo na campanha é ampliar a cidadania e melhorar as condições de vida da população mais pobre. Ele também defendeu a política de valorização do salário mínimo e afirmou que pretende manter aumentos acima da inflação.

Segurança pública

Na segurança pública, Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública e a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição para estabelecer com maior clareza as atribuições da União, dos estados e dos municípios no combate ao crime.

O presidente afirmou que pretende criar uma Guarda Nacional, ampliar os investimentos na Polícia Federal e na inteligência e fortalecer a Polícia Rodoviária Federal. Segundo Lula, as medidas devem ser utilizadas para combater o crime organizado e as facções criminosas.

O candidato também afirmou que o governo identificou a atuação do crime organizado em 138 presídios e disse que pretende transformar essas unidades em estabelecimentos de segurança máxima.