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Revelado mecanismo que ajudou a China e o Irã a manter comércio e evitar sanções

Acordo secreto de permuta facilita transações entre países.

Sputnik Brasil 10/09/2026
Revelado mecanismo que ajudou a China e o Irã a manter comércio e evitar sanções
Acordo secreto de permuta entre Irã e China possibilita comércio mesmo sob sanções. - Foto: © AP Photo / Mark Schiefelbein

O Irã utilizou um acordo secreto de permuta para facilitar o comércio com a China e evitar sanções. Esse mecanismo permitiu que Teerã adquirisse mercadorias da China por bilhões de dólares, incluindo equipamentos militares, conforme reportado por um veículo de comunicação britânico, que citou fontes familiarizadas com o assunto.

Com o respaldo desse acordo, o petróleo iraniano foi trocado por créditos para importações chinesas, à medida que os Estados Unidos intensificaram a pressão econômica e militar sobre o programa nuclear do Irã, conforme indicaram as fontes, que preferiram não ser identificadas.

Através desse acordo, Teerã conseguiu a compra de medicamentos, veículos e equipamentos de comunicação. O mecanismo também foi utilizado, pelo menos uma vez no ano passado, em contratos para fornecer ao Irã equipamentos de defesa antiaérea no valor de milhões de dólares, mencionou a reportagem, que não detalhou mais informações.

Por sua vez, a China, como maior importador de petróleo do mundo, manteve o acesso ao petróleo iraniano a preços reduzidos. Segundo a empresa de análise Kpler, Pequim recebeu mais de 80% do petróleo embarcado do Irã, o que equivale a uma média de 1,4 milhão de barris por dia em 2025. Adicionalmente, o país asiático conseguiu proteger os bancos e empresas exportadoras de escrutínio ou penalizações internacionais.

De acordo com a publicação, um comprador, agindo em nome do operador estatal de petróleo da China, Zhuhai Zhenrong, estava, pelo menos até este ano, depositando centenas de milhões de dólares por mês em uma obscura entidade financeira baseada na China conhecida como ChuXin. Os depósitos eram destinados a compras estabelecidas com uma empresa registrada em Hong Kong ligada à companhia nacional de petróleo do Irã.

No entanto, a ChuXin pode existir apenas em uma planilha, já que não foi encontrada nenhuma instituição financeira com esse nome nos registros das empresas chinesas, acrescenta a matéria.

Cerca de 70% das receitas obtidas da venda de petróleo iraniano administradas pela ChuXin foram destinadas a projetos de infraestrutura. O restante foi alocado para contas pertencentes a um mecanismo especial utilizado para pagar empresas que fornecem bens ao Irã.

Estima-se que entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões tenham fluído por meio deste processo no último ano, sendo que essa ação já era realizada desde 2021, tendo sido utilizada pela primeira vez para fornecer medicamentos e vacinas contra a COVID-19 ao Irã.

Periodicamente, Washington impõe sanções a entidades da China que compram ou facilitam os embarques de petróleo iraniano, mas nunca aplicou as medidas mais severas que poderiam impactar a economia global.

Entretanto, a China e o Irã têm denunciado repetidamente as restrições unilaterais ilegais do Ocidente e prometeram proteger seus interesses nacionais. Os países são parceiros econômicos e políticos históricos, porém pouco discutem publicamente sobre como mantêm o comércio funcionando, apesar das restrições internacionais.


Por Sputnik Brasil