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Ibovespa fecha em queda de quase 1% com aversão ao risco após nova onda de conflitos EUA-Irã

Mercado reage à alta do petróleo e medidas do governo

Estadao Conteudo 09/09/2026
Ibovespa fecha em queda de quase 1% com aversão ao risco após nova onda de conflitos EUA-Irã
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Depois da recente animação dos investidores com o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais, o mercado vivenciou um dia de maior aversão ao risco, refletindo as notícias sobre os conflitos no Oriente Médio que provocaram um ajuste de posições globalmente. O Ibovespa se afastou das mínimas no fechamento, firmando-se nos 185 mil pontos (185.629,04 pontos), mas registrou queda de -0,93% até o fim dos negócios.

Nesta quarta-feira, 9, novos ataques a bases e navios dos EUA no Estreito de Ormuz levaram o petróleo Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), a fechar em alta de 3,36%, a US$ 101,21 o barril, voltando ao teto registrado no fim de julho. A alta do petróleo provoca ajustes nas carteiras dos alocadores globais, uma vez que há receios de que isso gere efeitos inflacionários no mundo. Na esteira do movimento da commodity, a Petrobras foi a única ação entre as blue chips a sustentar um pregão positivo.

"O mercado é muito movido pelas surpresas; o que vem afetando as instituições são variações do mesmo tema. Enquanto não houver um movimento definitivo para o fim do conflito entre EUA e Irã que diminua o risco, e a eleição brasileira não ocorrer, os ativos continuarão a oscilar bastante", afirma Rodrigo Knudsen, sócio da Portogallo Family Office.

Na última hora do pregão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que reduziu o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro, e que cortou o PIS/Cofins em R$ 0,19 por litro do etanol, zerando toda a tributação do produto. Também foi assinada uma Medida Provisória que prevê a redução de mais R$ 1 no litro do diesel. Contudo, para especialistas e analistas, o efeito sobre a renda variável local foi limitado.

"Com o Brent beirando US$ 100, o petróleo mais alto implica inflação mais alta e, conseqüentemente, menos espaço para cortes de juros. Isso prejudica os ativos de risco. Nesse contexto, quem se destaca são petróleo e commodities. E, em minha visão, essas medidas do governo para conter o preço dos combustíveis não fazem muita diferença; o movimento do setor vem muito mais da alta do petróleo do que da medida em si", sublinha Rodrigo Alvarenga, sócio da One.

Lucas Tambellini, head de renda variável da Lifetime, corrobora que o efeito das medidas anunciadas foi limitado. "O mercado reagiu pouco a essa notícia. Atualmente, temos espaço para o investidor embolsar mais lucros, além de estarmos absorvendo esse movimento de aversão ao risco global por conta dos Estados Unidos e do Irã, que só têm visto o conflito se agravar. Contudo, vejo potencial para a bolsa avançar, pois a nossa bolsa ainda apresenta uma avaliação de preço bastante descontada", analisou.