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Renan Santos anuncia desobediência ao STF e propõe armamento nuclear

Candidato à Presidência critica ministros e sugere parceria com a China

Sputnik Brasil 03/09/2026
Renan Santos anuncia desobediência ao STF e propõe armamento nuclear
Renan Santos durante coletiva de imprensa em São Paulo, onde fez declarações controversas sobre o STF. - Foto: © Sputnik / Guilherme Correia

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nesta terça-feira (1º) que seu eventual governo adotará postura de não reconhecimento e desobediência a decisões emitidas pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em coletiva de imprensa voltada à mídia internacional em São Paulo (SP), o postulante classificou a Suprema Corte brasileira como uma "banca de negócios".

Santos justificou a medida afirmando que o STF perdeu a legitimidade e o papel de controle constitucional devido a escândalos de corrupção e supostas interferências do setor financeiro no processo eleitoral.

"Nós não vamos reconhecer nenhuma decisão que venha do ministro Moraes. Um governo sério e republicano não pode aceitar que a Suprema Corte seja um lugar para defender bandidos. Para ter legitimidade, o STF precisa expurgar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli", declarou Santos, acrescentando que seu grupo político ingressou com dois pedidos de impeachment contra os magistrados no Senado.

Críticas ao eleitorado e à "terceira via"

Questionado sobre pesquisas de intenção de voto que mostram seu nome com 4% das preferências, atrás de Augusto Cury (Avante), que soma cerca de 10% na disputa pela chamada "terceira via", Santos desdenhou do crescimento do adversário. Segundo o candidato do Missão, a ascensão do rival reflete uma parcela "despolitizada" da população.

"Não me importo de verdade com o crescimento do senhor Augusto Cury, porque é um crescimento que está acontecendo entre eleitores que são despolitizados", afirmou.

Santos reiterou declarações anteriores em que criticou os eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e cobrou responsabilidade do público sobre o cenário político do país. "O eleitor que ideologicamente votou em um governo que em essência é corrupto é corresponsável pelo que está acontecendo."

"Aqui no Brasil se aceita a ideia de que o eleitor precisa ser bajulado. O eleitor tem que ser provocado e responsabilizado por suas escolhas", disse.

EUA e China

Em relação às diretrizes de política externa, o candidato criticou a dependência automática de governos anteriores a blocos específicos e afirmou que a postura dos Estados Unidos em relação ao comércio internacional tem afastado o Brasil do Ocidente.

Segundo Santos, as sanções e tarifas impostas por governos norte-americanos, como a gestão do presidente Donald Trump, empurram o Brasil para a esfera de influência de Pequim e Moscou.

"E vamos ser sinceros: hoje em dia a China, no curto prazo, é um parceiro melhor do que os Estados Unidos. É melhor do que os Estados Unidos. É mais fácil lidar com o chinês do que com o norte-americano", afirmou o candidato. Ele defendeu que o país utilize suas reservas de terras raras e seu potencial de energia renovável para data centers como barganha estratégica em negociações globais.

Também afirmou que o objetivo de sua candidatura é colocar o Brasil entre as nações mais influentes do mundo, citando potências com grande poder de dissuasão militar como parâmetro.

"Isso não significa um dos cinco maiores PIBs, mas sim estar entre as nações mais poderosas. A Rússia não tem um dos cinco maiores PIBs do mundo, mas é uma das nações mais importantes do mundo. Ponto. O Brasil tem que ser uma dessas nações", argumentou.

Como parte dessa estratégia de soberania e fortalecimento das Forças Armadas, o postulante à Presidência voltou a propor que o país desenvolva capacidade e armamento nuclear. "Isso inclui evoluir o Exército brasileiro e até mesmo desenvolver armamentos nucleares para garantir a soberania nacional."