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Silveira defende gás natural para data centers e prevê decisão sobre usina nuclear de Angra 3 em 2026

Ministro destaca importância do gás natural e do hidrogênio verde para o futuro energético do Brasil.

Sputnik Brasil 02/09/2026
Silveira defende gás natural para data centers e prevê decisão sobre usina nuclear de Angra 3 em 2026
Ministro Silveira destaca gás natural para data centers e avança com Angra 3. - Foto: © Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta quarta-feira (2) o uso do gás natural para atender à expansão dos data centers e afirmou que o Brasil precisa investir em inteligência artificial para não ficar para trás na corrida tecnológica.

Durante o seminário "Lei Combustível do Futuro: Implementação e Desafios", na Câmara dos Deputados, o ministro também mencionou hidrogênio verde e energia nuclear, afirmando que o governo pretende avançar com Angra 3 ainda este ano.

Silveira ressaltou que o aumento da demanda por eletricidade nos data centers exige novas alternativas de geração. Ele citou os Estados Unidos como exemplo e defendeu que o Brasil utilize as condições regulatórias e energéticas criadas nos últimos anos para atrair investimentos no setor.

"Eu sou um defensor do gás natural, porque os Estados Unidos estão fazendo agora 6,5 gigas de térmicas a gás natural para data centers. Nós temos todo o ambiente de produção e geração de energia, além do ambiente regulatório e legal, com a aprovação do Redata, para atrair grandes data centers para o Brasil. O que é fundamental para sermos protagonistas, inclusive, na IA", disse.

O ministro associou a expansão dessas estruturas ao desenvolvimento da inteligência artificial e defendeu investimentos na formação de profissionais. Para ele, o Brasil ainda está distante dos países que lideram a tecnologia, como China e Índia, mas precisa criar condições para reduzir essa diferença.

Silveira também defendeu o gás natural como fonte de transição energética e criticou a dependência brasileira do produto importado dos Estados Unidos. Segundo o ministro, o país possui reservas de gás não convencional que ainda necessitam ser exploradas.

"Não justifica a gente falar que o gás de fraco, o gás não convencional, que tem grandes riquezas no Brasil, em especial na Bacia do Paraná e na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais, não justifica a gente falar que nós estamos preservando ou não considerando o gás uma energia de transição, sendo que nós somos o maior importador de gás de fraco dos Estados Unidos", pontuou.

Hidrogênio verde e investimentos no Nordeste

Outro tema abordado pelo ministro foi o hidrogênio verde, cuja regulamentação faz parte da agenda de transição energética do governo. Silveira afirmou que a tecnologia ainda apresenta custos elevados, especialmente para a produção de amônia e fertilizantes, mas considerou que o Brasil não poderia deixar de desenvolver o setor.

Apesar das dificuldades, o ministro destacou o volume de projetos em desenvolvimento no país e o potencial da região Nordeste para receber investimentos.

"É uma das fontes que nós não poderíamos deixar de aprovar na Lei do Combustível do Futuro e regulamentar agora. Já existem centenas de projetos, que representam bilhões de reais em investimentos em hidrogênio verde no Brasil, principalmente no Nordeste brasileiro, que é uma região que precisa se desenvolver e promover mais inclusão", complementou.

Retomada das obras em Angra 3

Na área nuclear, Silveira afirmou que o governo pretende avançar com a implementação da usina nuclear Angra 3 e modernizar a Eletronuclear, estatal responsável por investimentos no setor. Segundo ele, as discussões sobre o futuro da empresa e da usina continuam dentro do governo, com a participação da Casa Civil e do Ministério da Inovação.

"Nós queremos avançar em Angra 3, queremos modernizar a empresa Eletronuclear. Estamos trabalhando para isso. Este ano, sim. Eu não digo quando, mas este ano. Acredito que vamos entregar grandes políticas no setor energético brasileiro, além das dezenas que nós entregamos nesses três anos inteiros", frisou.

Questionado se uma decisão sobre Angra 3 poderia ocorrer ainda em 2026, Silveira respondeu: "Este ano, sim. Eu não digo quando, mas este ano."