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Brasil está em esforço concentrado para reabrir mercado de pescados à União Europeia, diz ministro

Édipo Araújo destaca confiança na reversão de embargo após 8 anos.

Sputnik Brasil 01/09/2026
Brasil está em esforço concentrado para reabrir mercado de pescados à União Europeia, diz ministro
Ministro da Pesca destaca esforço do Brasil para reabrir mercado de pescados à União Europeia. - Foto: © Lucas de Andrade/Sputnik Brasil

O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, afirmou nesta terça-feira (1º) que o Brasil está em um 'esforço concentrado' para reabrir o mercado nacional de pescados para a União Europeia após 8 anos de embargo.

A declaração ocorre um dia após membros da Comissão Europeia declararem que o bloco econômico vai suspender a importação de carnes e outros produtos como aves, carne, ovos e mel, além de peixes de origem brasileira destinados ao consumo humano, a partir de quinta-feira (3).

Apesar do contratempo com a última medida das autoridades sanitárias europeias, o ministro Édipo Araújo mantém a confiança em uma reversão da restrição vigente desde 2018.

A gente acredita que com a abertura do mercado europeu nós vamos aumentar em 20% nossas exportações, porque o mercado europeu vai absorver, declarou.

Segundo o ministro, uma missão de auditoria da União Europeia esteve no Brasil em julho para avaliar as condições sanitárias da produção pesqueira nacional. O governo brasileiro classificou a visita como bem-sucedida e aguarda agora a divulgação do relatório oficial. Édipo Araújo também fez questão de separar a discussão sobre a reabertura do mercado de pescados da suspensão anunciada pela Comissão Europeia para outras proteínas animais, como carne suína.

De acordo com o ministro, são duas frentes distintas de negociação: a primeira, voltada às exigências sanitárias que mantêm o pescado brasileiro fora do mercado europeu desde 2018; e a segunda, relacionada ao uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas — tema que, segundo ele, motivou a saída do Brasil da lista de exportadores habilitados para a União Europeia e que só deve ser tratado em um segundo momento. Uma coisa anda diferente da outra, completou.

Quase 90% dos pescados está isento das tarifas dos Estados Unidos, mas Ministério não saiu da 'mesa de negociação'. De acordo com o ministro Édipo Araújo, 89,2% do valor exportado aos Estados Unidos em 2025 não foi incluído entre as sobretaxas norte-americanas. Esse percentual abrange produtos como albacora-laje fresca ou refrigerada, tilápia fresca ou refrigerada e lagosta congelada.

Apesar de um impacto menor no setor, o ministro afirmou que o cenário ideal para a cadeia do pescado é chegar em 100% nessa lista de exceção, mas declarou que o mercado brasileiro não depende unicamente dos Estados Unidos.

Nós temos outras estratégias, diversificar e ampliar cada vez mais as nossas exportações para outros países, porque um país soberano, ele não pode ficar dependente de mercado nenhum. E a gente vem trabalhando para isso, abrir o mercado da União Europeia, abrir o mercado do Reino Unido, mas também fortalecer relações com a América do Sul, ampliar as exportações para a Argentina, que o nosso produto chegue a Colômbia e também ao México.

Édipo Araújo também citou a disponibilização de linhas de financiamento, no Plano Brasil Soberano III, para empresas pesqueiras afetadas pela aplicação de tarifas comerciais dos Estados Unidos.

El Niño tende a atingir mais intensamente pescadores nas regiões Norte e Sul

O Ministério da Pesca e Aquicultura também trabalha para mitigar impactos do fenômeno climático El Niño, que, de acordo com o ministro Édipo Araújo, atinge trabalhadores do setor afetados por enchentes na região Sul e secas extremas ao Norte.

Ele afirma haver uma situação particularmente grave na região amazônica, onde os rios não servem apenas como local de trabalho, mas também como principal via de acesso das comunidades ribeirinhas — o que amplia o risco de isolamento de pescadores durante períodos de seca extrema, como os registrados em 2023 e 2024.

Tivemos uma seca extrema no ano de 23, outra no 24. Conseguimos trabalhar um auxílio-extraordinário, mas a gente precisa ir além disso: garantir condições para essas pessoas terem uma alimentação, uma água potável.

Ao fim de junho, o governo federal anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para prevenção e mitigação dos impactos do efeito climático.

O ministro afirmou que atua de forma coordenada com a Casa Civil e mais de 25 pastas para estruturar respostas à população pesqueira e agrícola afetada pela crise climática, com ações voltadas tanto à segurança alimentar quanto à garantia de renda — especialmente diante da proximidade entre a estiagem extrema e o período de defeso, entre os meses de setembro e outubro.

De acordo com Édipo Araújo, o governo também trabalha em estratégias de proteção a pescadores endividados por linhas de crédito, além de medidas para minimizar os danos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Semana do Pescado pode impulsionar vendas do setor em até 30%

A partir desta terça-feira (1º), o Ministério da Pesca e Aquicultura inicia a campanha Semana do Pescado 2026, que busca conscientizar a população sobre a necessidade de ampliar o consumo de pescado entre os brasileiros, hoje concentrado majoritariamente na região Norte do país, e pode aumentar as vendas do setor em até 20%.

A gente tem uma expectativa de crescer as vendas em 15, 20%, e que a gente saia dos dois picos de consumo que são a Semana Santa e o Natal. Então, a ideia é que a gente possa impulsionar ainda mais o consumo no mês de setembro, disse.

A iniciativa, de âmbito nacional, conta com a articulação entre empresas do setor produtivo, pescadores e administrações estaduais. Édipo Araújo citou o exemplo do Espírito Santo, estado que tem praticado reduções de até 30% no preço de alguns produtos pesqueiros dentro da campanha.

O Brasil precisa universalizar o consumo dessa proteína. Hoje, nós temos taxas que ficam em torno de 10 a 12 quilos homem por ano. A gente vê que não é uniforme, que o maior consumo de pescado é da região Norte, quando a gente vê dados de um consumo muito mais baixo na região Centro-Oeste do Brasil e também Sudeste e Sul, afirmou o ministro.

O ministro Édipo Araújo cumpriu agenda nesta terça-feira (1º) em Maricá, no leste fluminense do Rio de Janeiro, e participou de uma cerimônia de entrega do Certificado do Selo Pesca Artesanal do Brasil para pescadores locais.