Geral
Brasil e EUA retomam negociações sobre tarifas após conversa entre Lula e Trump
Ministros se reúnem para discutir tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros
Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), se reuniram nesta segunda-feira (31), por videoconferência, com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir as tarifas impostas a produtos brasileiros.
O encontro ocorreu após conversas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump e teve como foco duas medidas recentes dos EUA baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O governo brasileiro voltou a tratar as negociações sobre o tarifaço, formado por duas medidas distintas, ambas baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, mecanismo que permite a Washington aplicar sanções comerciais a países cujas práticas sejam consideradas "desleais".
Atualmente, as sobretaxas norte-americanas chegam a 37,5% sobre uma série de produtos brasileiros. A primeira, de 25%, foi justificada por Washington após investigação que apontou supostas práticas desleais do Brasil em áreas como comércio digital, serviços de pagamento (caso do Pix) e etanol, e entrou em vigor em 22 de julho. Já a segunda, de até 12,5%, o governo norte-americano alegou que Brasília não teria adotado medidas suficientes de combate a produtos ligados ao trabalho escravo.
Segundo cálculos do MDIC, as duas medidas afetam, isolada ou conjuntamente, cerca de 23% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, com base em dados de comércio de 2024.
Após a reunião de hoje, o Itamaraty e o MDIC informaram que o lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, "em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico" entre os dois países.
Ao mesmo tempo, os ministros reiteraram que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, por considerá-las incompatíveis com as regras multilaterais de comércio, e repetiram uma crítica já feita em ocasiões anteriores: a de que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas investigações da Seção 301 não correspondem às práticas efetivas do país, configurando, segundo Brasília, um tratamento discriminatório e injusto.
As duas partes concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial em data ainda não definida, para avaliar o andamento das tratativas bilaterais e das reuniões técnicas previstas para as próximas semanas, que poderão ocorrer tanto de forma virtual quanto presencial. O texto reafirma que o governo brasileiro seguirá buscando "um acordo equilibrado e mutuamente benéfico" com os Estados Unidos, "pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional".
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