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Obesidade no climatério: por que alimentação e atividade física nem sempre são suficientes para controlar o peso

Mudanças hormonais podem alterar o metabolismo, reduzir a massa muscular e favorecer o ganho de gordura abdominal

Assessoria 31/08/2026
Obesidade no climatério: por que alimentação e atividade física nem sempre são suficientes para controlar o peso
Caio Galvão - Foto: Assessoria

A dificuldade para perder peso durante o climatério é uma queixa frequente entre mulheres a partir dos 40 anos. Mesmo mantendo uma alimentação equilibrada e uma rotina de exercícios físicos, muitas percebem um aumento progressivo da gordura corporal, especialmente na região abdominal. O que poucas sabem é que esse cenário vai além da falta de disciplina e está diretamente relacionado às transformações hormonais que ocorrem nessa fase da vida.

O climatério, período de transição entre a fase reprodutiva e a menopausa, provoca uma queda gradual na produção de estrogênio, hormônio responsável por diversas funções no organismo feminino. Essa alteração interfere no metabolismo, favorece a perda de massa muscular, reduz o gasto energético e aumenta o acúmulo de gordura visceral, um tipo de gordura associado a doenças cardiovasculares, diabetes e outras complicações metabólicas.

Segundo o médico Caio Galvão, além do incômodo da parte estética, o acúmulo de gordura também eleva o risco do aparecimento de doenças. “O déficit hormonal gera diversas consequências que, se não tratadas, podem ocasionar muitas doenças a longo prazo. Por isso o acesso à informação deve ser cada vez mais facilitado para que a mulher saiba a importância do diagnóstico e do tratamento”, explica.

Embora alimentação saudável e prática regular de atividade física continuem sendo pilares fundamentais para a saúde, elas nem sempre conseguem reverter, sozinhas, as alterações metabólicas provocadas pelo climatério. Isso acontece porque o metabolismo passa por adaptações hormonais que exigem uma abordagem individualizada.

“Não é falta de força de vontade e não é porque a mulher quer, é realmente uma consequência dessa deficiência hormonal que pode causar alteração no sono, sintomas depressivos, fadiga constante e vontade de fazer nada. Ela até pode ter uma dieta adequada e treinar de maneira correta, mas não consegue atingir seus objetivos. Se a gente não olhar a mulher de dentro para fora e tratar a causa dessa deficiência, fica complicado para que ela tenha uma saúde e qualidade de vida boa”, salienta o médico.

Além das alterações hormonais, fatores como resistência à insulina, privação de sono, estresse, predisposição genética e perda de massa muscular também podem contribuir para o ganho de peso. Por isso, insistir apenas em dietas restritivas pode, inclusive, agravar o problema ao favorecer ainda mais a perda de músculos, tornando o metabolismo mais lento.

Caio Galvão orienta que a alimentação é um importante pilar durante o tratamento. “Principalmente na ingestão de proteínas porque ela favorece a manutenção da massa muscular, que ajuda em um envelhecimento eficaz. E ainda mais, a perda muscular é intensificada caso a mulher não faça a reposição hormonal de maneira adequada”, pontua.

No entanto, esse é um tema controverso já que até pouco tempo atrás vários órgãos de saúde nacionais e internacionais não indicavam a reposição hormonal. “Após alguns anos foi visto que o benefício é muito maior do que os riscos oferecidos por ela. Se feito de maneira adequada, com acompanhamento médico e multidisciplinar, diminui o risco cardiovascular, o de ossos fracos, risco de queda e de internamento”, ressalta.

O médico ainda aponta que, caso não haja nenhuma contraindicação, a mulher deve realizar a reposição hormonal, já que é fisiologicamente esperado que a partir dos 40 anos se tenha um declínio na produção de hormônios como estrogênio e progesterona, que são muito necessários para a saúde da mulher.

Além do impacto estético, o excesso de peso nessa fase aumenta significativamente o risco de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, esteatose hepática, apnéia do sono e limitações articulares. Também pode intensificar sintomas comuns do climatério, como ondas de calor, fadiga e redução da disposição.

O tratamento da obesidade no climatério deve começar com uma avaliação médica completa, considerando exames laboratoriais, composição corporal, histórico clínico e hábitos de vida. A partir desse diagnóstico, podem ser indicadas estratégias e, quando houver indicação clínica, terapias hormonais ou medicamentos específicos para o tratamento da obesidade.

“O climatério é um período que antecede a menopausa, tendo todos esses sintomas e que pode durar vários anos. A primeira recomendação é que a mulher faça exames periódicos para avaliar os órgãos e ver se não tem nenhuma contraindicação a reposição, além de ver se tem deficiência hormonal associada aos sintomas clínicos. Uma consulta médica adequada institui um plano de tratamento o quanto antes, para que a mulher possa aproveitar os benefícios da reposição hormonal de maneira mais eficaz”, finaliza Caio Galvão.