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Resgate de mais de 900 trabalhadores presos em túneis de usinas hidrelétricas no Nepal

Esforços de resgate se intensificam após enchentes devastadoras.

Estadao Conteudo 31/08/2026
Resgate de mais de 900 trabalhadores presos em túneis de usinas hidrelétricas no Nepal
Nepal

Equipes de resgate tentam alcançar nesta segunda-feira, 31, mais de 900 trabalhadores que estão presos em túneis de usinas hidrelétricas no Nepal, soterrados pela lama após as enchentes repentinas que atingiram a fronteira entre o país e a China na última quarta-feira, 26, deixando mais de 900 mortos.

O presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN, na sigla em inglês), Mohan Kumar Dangi, afirmou que pelo menos 900 trabalhadores não foram localizados em 12 projetos hidrelétricos danificados pelas enchentes nos distritos de Rasuwa e Nuwakot.

Segundo Dangi, estima-se que pelo menos 500 dos 900 trabalhadores desaparecidos estejam presos nos túneis. As autoridades locais, no entanto, forneceram números diferentes, informando que equipes estrangeiras estão ajudando os socorristas nepaleses.

Dangi também comentou que alguns trabalhadores conseguiram entrar em contato e pedir ajuda no momento do desastre, enquanto outros que conseguiram escapar alertaram as autoridades e suas famílias de que muitos colegas ainda estavam nos túneis. Entretanto, ele advertiu que, seis dias após o desastre, aumentam os temores de que alguns possam ter morrido asfixiados.

O geocientista da Universidade de Graz, Jakob Steiner, afirmou que os túneis oferecem espaço suficiente para que as pessoas se refugiem e que algumas poderiam ter acesso a oxigênio. Contudo, especialistas alertam que as chances de encontrar sobreviventes diminuem com o passar dos dias.

"Estamos trabalhando nas buscas e no resgate das pessoas que ficaram presas em áreas montanhosas, comunidades e regiões de rios", disse o porta-voz do Exército do Nepal, general de brigada Raja Ram Basnet.

Ao todo, o desastre já deixou 955 mortos e 4.471 desaparecidos no Nepal, segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal, e 16 mortos e 546 desaparecidos no Tibete, de acordo com a imprensa chinesa.

Trabalhadores estão presos em túneis que abastecem usinas

Um grupo de trabalhadores que removia lama de uma usina atingida pelas enchentes no distrito de Dhading, Nepal, afirmou à Associated Press que a estação é um ponto crucial para fornecer energia a mais de 20 mil pessoas na região. Eles disseram esperar que a estrutura não seja reconstruída próxima ao rio.

Os trabalhos de resgate estão focados nas pessoas presas nos túneis construídos para controlar o fluxo de água para a produção de energia hidrelétrica, em vários locais.

"Os túneis são construídos para dar acesso à infraestrutura hidrelétrica e desviar a água, uma etapa essencial para gerar energia. Esses túneis são grandes o suficiente para permitir a passagem de caminhões", explicou Steiner. "Há espaço suficiente para que as pessoas se refugiem com segurança lá dentro e, pelo que entendemos, conseguiram levar oxigênio a algumas das pessoas presas, que estão sendo resgatadas agora. É uma corrida contra o tempo, já que elas precisam de comida e água."

Segundo Dangi, pelo menos 576 pessoas estão desaparecidas no projeto hidrelétrico Upper Trishuli-1, no distrito de Rasuwa, severamente afetado. Destas, estima-se que cerca de 300 ainda estejam presas dentro do túnel. Os socorristas tentam encontrar sobreviventes há dias, trabalhando sob a chuva.

Já Basnet informou que, no projeto hidrelétrico Trishuli-3, equipes estão trabalhando para descer cerca de 15 metros até o interior do túnel, visando alcançar as pessoas que estão presas.

China tenta reconstruir estradas

No lado chinês, os esforços de resgate e recuperação incluem a reconstrução da estrada que leva ao porto de Gyirong, na fronteira entre a China e o Nepal.

Em imagens exibidas nesta segunda-feira pela emissora estatal chinesa CCTV, caminhões transportavam grandes pedras enquanto trabalhadores tentavam repavimentar um trecho da estrada, que estava coberto por cerca de 2 a 3 metros de água devido às chuvas intensas dos últimos dois dias.

O trecho em obras fica a pouco mais de um quilômetro da fronteira, segundo a CCTV. Embora algumas equipes de resgate tenham conseguido chegar à fronteira, isso representa apenas uma parte das forças mobilizadas.

A cobertura da imprensa estatal chinesa tem se concentrado principalmente na resposta oficial, destacando o envio de bombeiros, do Exército de Libertação Popular e as instruções dos principais líderes. Pouco se sabe sobre as vítimas no lado chinês.

Famílias estão desesperadas por informações

Dois dias após o desastre, Maraval Nagappan viajou ao Nepal para procurar seu filho, Sathya Narayan, que está entre os desaparecidos. Ele visitou centros de resgate e necrotérios, percorrendo até 40 quilômetros da localidade onde acreditava que seu filho estaria, mas sem sucesso.

Narayan liderava um grupo de 49 devotos indianos que retornavam do Monte Kailash, um local sagrado no sudoeste do Tibete. O grupo está desaparecido desde que as águas da enchente inundaram um complexo de imigração chinês onde aguardavam para entrar no Nepal.

Nagappan, que possui uma agência de viagens em Chennai que organizou a peregrinação, declarou que o grupo deveria realizar os procedimentos de imigração e seguir para o Nepal em cerca de duas horas. Em vez disso, foram atingidos pela enchente.

A peregrinação teve início em 14 de agosto. "Não tenho notícias do meu filho desde então. Não sei se ele está vivo ou morto", lamentou Nagappan à Associated Press, que afirmou não ter desistido de obter notícias de seu filho.

Imagens de câmeras de segurança mostraram a água avançando pelo complexo de imigração enquanto as pessoas tentavam escapar. Nagappan indicou que alguns dos que aparecem fugindo eram do grupo de seu filho, reconhecíveis pelas roupas que usavam.

As enchentes repentinas foram provocadas pelo colapso de uma geleira em uma região de alta altitude no Himalaia. Cientistas que analisaram imagens de satélite afirmaram que a rocha sob a geleira havia desabado, levando uma parte da geleira. O deslizamento foi tão intenso que foi registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2.

A queda de rochas e a água do degelo fizeram os rios nos vales transbordarem, criando uma torrente que arrastou edifícios, pontes e terra rio abaixo no Tibete e no Nepal.

*Com informações de agências internacionais.