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'Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais,' diz Flávio em encontro com ministro de Bukele em SP

Candidato do PL defende endurecimento da legislação penal e mais vagas em presídios.

Sputnik Brasil 30/08/2026
'Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais,' diz Flávio em encontro com ministro de Bukele em SP
Flávio Bolsonaro e Gustavo Villatoro discutem segurança em São Paulo. - Foto: © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

Após encontro, presidenciável diz que, se eleito, vai atuar pelo endurecimento da legislação penal e construção de mais vagas em presídios.

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República, se encontrou neste domingo (30) com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, em um hotel no Centro de São Paulo.

O encontro tinha como objetivo discutir o combate à criminalidade e contou com a presença do vice na chapa do presidenciável, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), e do senador Sérgio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, que lidera as pesquisas no estado. Na saída do hotel, o presidenciável conversou com jornalistas.

"Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais. Só não tem mais porque a legislação é frouxa. Por isso que nós vamos criar mais de meio milhão de vagas em presídios para que ladrão, celular e comércio tenham no mínimo oito anos de cadeia e fique preso", afirmou.

Ele acrescentou que, se eleito, uma das medidas do governo Bukele que pretende adotar é a criação de um ministério exclusivo para a segurança pública, subordinado ao Ministério da Justiça.

"A linha vai ser no endurecimento da legislação penal, construção de vagas em presídios para que a população tenha o direito de ir e vir. A ideia é criar um ministério para fazer essa gestão junto com as forças estaduais e as polícias municipais", afirmou.

Segundo o levantamento mais recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgado em novembro de 2025, o Brasil tem uma população carcerária de 726 mil pessoas, a terceira maior do mundo, atrás apenas dos EUA (1,8 milhão) e China (1,7 milhão).

O governo Bukele vem sendo mencionado por presidenciáveis da direita como inspiração no combate à criminalidade, por ter reduzido drasticamente a violência e o poder do crime organizado em El Salvador, fazendo o país, que antes figurava entre os mais violentos do mundo, registrar uma queda de 90% nos índices de criminalidade desde 2019.

No entanto, o método utilizado para alcançar o feito é considerado por analistas extremamente controverso, por envolver um estado de exceção que suspende garantias constitucionais, autoriza a prisão sumária de pessoas, majoritariamente homens jovens, baseada em denúncias anônimas sem investigação posterior, traços físicos, locais de residência, além de promover julgamentos em massa e sem direito de defesa.