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Operação Bomba Oculta mira laços do PCC no setor de combustíveis e fecha 10 mil postos
Ação acontece na terceira fase da Operação Carbono Oculto.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram nesta sexta-feira, 28, a terceira fase da Operação Carbono Oculto, que mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Batizada de Operação Bomba Oculta, a ofensiva revogou a autorização de funcionamento e lacrou mais de 10 mil postos na capital paulista, além de determinar o encerramento de cerca de 1,2 mil CNPJs.
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025, revelou como os tentáculos do crime organizado penetraram em diferentes etapas da cadeia nacional de combustíveis, da importação e produção à distribuição e revenda. O setor, segundo as investigações, tornou-se um instrumento eficaz para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
Na quarta-feira, 26, o Ministério Público de São Paulo denunciou 16 alvos da Operação Carbono Oculto. Eles são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro em conexão com o PCC.
Segundo a Promotoria, os denunciados teriam integrado, promovido e financiado uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas voltada à prática de crimes como adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraude contra o consumidor e crimes fiscais. O grupo também manteria conexão com outras organizações criminosas independentes.
O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, que está foragido e apontado como um dos cérebros do esquema, é um dos 16 denunciados. Ao Estadão, a defesa de Roberto Augusto Leme da Silva informou que não teve acesso aos autos até o momento. "Contudo, diante do que foi informado pela mídia, os fatos tratados na denúncia não têm nenhum relacionamento com Roberto. Sua inclusão no processo parece uma infeliz tentativa de gerar repercussão midiática, como já ocorreu anteriormente."
De acordo com a Promotoria, os investigados teriam movimentado R$ 2.978.086.957,29 com o esquema.
Em maio, a Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto, identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões.
Segundo o Ministério Público, os fundos registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano e integram um robusto núcleo financeiro usado pela facção para movimentações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, transações entre empresas e fundos de investimento.
As investigações do Gaeco, braço do Ministério Público que combate o crime organizado, e da Receita Federal apontam que o PCC estruturou um esquema de abertura em série de empresas em diversos Estados do País para sustentar as fraudes.
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