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Quero fazer uma revolução tecnológica nesse país, diz Lula ao citar terras raras em sabatina
Entrevista à TV Globo abordou propostas e investigações envolvendo o filho do presidente.
Durante entrevista realizada nesta quinta-feira (27) pela TV Globo, o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, foi questionado sobre temas como as investigações contra o filho, Lulinha, o escândalo do INSS e suas propostas para um eventual quarto mandato.
Um dos temas que mais têm tomado conta da geopolítica nos últimos anos, a corrida mundial pelas terras raras foi citada por Lula durante a entrevista. Caso seja reeleito, ele destacou a importância de o Brasil, que possui a segunda maior reserva mundial desses minerais críticos, dominar as tecnologias para exploração e transformação desses recursos em riqueza.
"Sabe o que eu quero para o próximo mandato? Eu quero fazer uma revolução tecnológica nesse país, quero voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico. Temos que apostar em uma inteligência artificial com linguagem portuguesa, quero tentar fazer uma reforma para que a gente tenha a nossa defesa tomando conta dos oito milhões e meio de metros quadrados que estão totalmente abandonados. E nós estamos vendo que temos, depois da China, possivelmente o país com mais minerais críticos e terras raras", disse.
Para Lula, é crucial a regulação do setor para evitar que o Brasil apenas exporte o recurso, assim como acontece com o minério de ferro e outras commodities. Nesse contexto, o presidente brasileiro mencionou uma reunião que teve com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para aprovar o texto em discussão no Congresso antes das eleições.
"Vamos aprovar a regulação para que a gente não permita que nossas riquezas sejam vendidas. Se a gente souber extrair, transformar e produzir o material, podemos fazer bateria, chip, celular, tudo aqui dentro do Brasil. A gente vai estar criando um passaporte para dar oportunidade para a juventude brasileira ter orgulho de que no seu país ela vai ter condições de estudar, trabalhar e ganhar a vida", afirmou.
Investigações contra Lulinha e caso Master
Durante a entrevista, o presidente também foi questionado sobre as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) contra o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeita de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais. Sobre essa questão, Lula destacou que se tratam de "ilações tiradas de telefonemas" e, portanto, ainda não há nenhuma acusação ou prova concreta. Apesar disso, o petista garantiu que não intervirá na questão.
"Eu não sou Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz, eu sou o presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que tenha cometido um crime. Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal e nem fazer qualquer movimento para que meu filho não responda se ele tiver erro, como outros já fizeram. Ele sabe o que eu passei [quando foi condenado e preso na Lava Jato], que a Marisa [mãe de Lulinha] morreu por conta da falsa acusação que foi feita na Lava Jato. Portanto, ele tem a obrigação de não ter cometido o erro. Estou muito tranquilo", declarou.
Na sequência, Lula foi questionado sobre seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou o cargo devido a investigações que apontam recebimento de pagamentos da empresária Roberta Luchsinger. Ao responder se a situação levantaria suspeitas para dentro do Palácio do Planalto, Lula confirmou, mas lembrou que não há nenhuma prova de que houve envolvimento de dinheiro público no caso. "O caminho é um só, da apuração e investigação e, depois, da inocência ou condenação", complementou.
Sobre o escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que envolveu fraudes superiores a R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024 e afetou mais de quatro milhões de aposentados e pensionistas com descontos indevidos, Lula comentou que o caso foi descoberto durante seu governo.
Conforme o presidente, todo o montante descontado indevidamente já foi restituído e os cofres públicos estão sendo ressarcidos por meio da venda de bens apreendidos da organização criminosa. "A CGU [Controladoria-Geral da União] trabalhou com muita seriedade para investigar e levou dois anos [...]. E é assim que funciona a realidade, não tem outro jeito", afirmou.
Lula também mencionou o caso do PowerPoint, sem fornecer detalhes sobre a apresentação exibida pela GloboNews que vinculava o petista a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. "Eu não esqueço do PowerPoint mentiroso contra mim", ressaltou.
Sobre o senador Jaques Wagner (PT), que deixou a liderança do governo no Congresso após investigações da PF apontarem uma possível ligação dele com Augusto Lima, ex-sócio do Master, o petista afirmou que a relação do aliado com o empresário ocorreu antes dele adquirir parte do banco. "Até agora não está provado que o Wagner tem relação com o Banco Master. O que eu não posso admitir para mim e aceitar é que eu possa fazer política vivendo de ilações todo santo dia".
Contas públicas e ajuste fiscal
Na sequência, Lula foi questionado sobre a trajetória da dívida pública, que ultrapassou R$ 10 trilhões e chegou a cerca de 82% do PIB. O presidente contestou a avaliação de que seu governo não teria responsabilidade fiscal e destacou que, em seus primeiros mandatos, o Brasil registrou superávit primário por oito anos. Segundo Lula, o crescimento econômico é o principal caminho para reduzir o peso da dívida sobre o PIB.
O petista também atribuiu parte da alta da dívida aos juros e afirmou que herdou, em 2023, um déficit fiscal de 2,8%. Apesar disso, Lula declarou que o governo deve encerrar o ano com resultado primário positivo e defendeu que a responsabilidade fiscal deve estar associada à capacidade de o país crescer e investir.
Outro tema abordado foi a situação das empresas estatais, quando Lula foi questionado sobre os prejuízos acumulados principalmente pelos Correios, que registram perdas bilionárias. O presidente reconheceu que a estatal precisa passar por mudanças e afirmou que os Correios não se adaptaram à transformação do mercado de entregas.
"Os Correios são uma empresa muito importante para o Brasil, porque está em todos os municípios brasileiros. Obviamente que não se adaptou ao novo tempo, surgiram muitas empresas de entrega e os Correios ficaram na mesmice. Mas estamos com uma nova administração que está com a responsabilidade de fazer o enxugamento que for necessário", disse, ao prometer que não venderá a empresa caso reeleito.
Por fim, Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de um ministério após o novo texto definir as atribuições da União, dos estados e dos municípios no combate ao crime organizado. O presidente afirmou que pretende ampliar o uso de inteligência e a atuação integrada das forças policiais, além de reforçar o combate ao narcotráfico nas fronteiras.
Segundo o presidente, o objetivo é "recuperar o território do povo", enfrentando tanto o crime nas ruas quanto as organizações criminosas que atuam no sistema financeiro.
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