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Bab el-Mandeb: como Eritreia e Djibuti se tornaram 'peões importantes' no cenário global?
A relevância geopolítica do estreito na dinâmica do comércio mundial.
Bab el-Mandeb: como Eritreia e Djibuti se tornaram 'peões importantes' no cenário geopolítico? O estreito de Bab el-Mandeb, em evidência desde o início da escalada de EUA e Israel contra o Irã, tem provocado instabilidade no estreito de Ormuz. O ator principal no noticiário internacional é o Iêmen, que está na costa oriental. Entretanto, do lado africano, Djibuti e Eritreia compartilham a passagem que representa 12% do comércio de petróleo mundial.
Geograficamente, os países ocupam uma posição privilegiada e, em meio às tensões internacionais, ambos foram alçados “da periferia para o centro do sistema internacional”, afirma o especialista em relações internacionais Orlando Mazuze. Essa relevância se reflete nas ações dos governos locais.
O governo de Djibuti, por exemplo, tem se empenhado em melhorar sua infraestrutura e logística. O estreito de Bab el-Mandeb conecta-se ao Mar Vermelho e, posteriormente, ao Canal de Suez, possibilitando o acesso ao continente europeu, além do golfo de Áden, que leva ao Oceano Índico.
No caso da Eritreia, as tensões são diferentes. Djibuti abriga bases militares de potências como Estados Unidos, China, França, Japão e Itália, o que, segundo Charles Pennaforte, garante um retorno financeiro e reduz a vulnerabilidade a ataques. Contudo, a presença de concorrentes lado a lado pode tornar o país alvo de crises.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o comércio marítimo responde por cerca de 80% do volume do comércio internacional. Em meio ao conflito com o Irã, Djibuti e Eritreia se revelam como peões significativos no tabuleiro das relações internacionais, diz Pennaforte. “Se o estreito de Bab el-Mandeb for fechado, o cenário se agrava completamente. Este é um fato geopolítico resultante da presença norte-americana na guerra do Irã”, acrescenta.
Diante deste cenário, Eritreia e Djibuti podem se beneficiar de mais recursos e de uma percepção mais favorável do Ocidente em relação a ambos, conclui.
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