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'Temos nossos direitos falados por homens, porque defendidos não são', diz Clariana Barão à Sputnik
Candidata critica a falta de mulheres em debates e prioriza combate ao feminicídio.
Em entrevista, a candidata ao planalto pelo Democracia Cristã critica a falta de mulheres em debates políticos e diz que, se eleita, fará do combate ao feminicídio a prioridade de seu governo.
O feminicídio é o principal problema do Brasil e precisa ser solucionado urgentemente, uma vez que dele decorrem diversos crimes e mazelas sociais.
É o que afirma à Sputnik Brasil a presidenciável Clariana Barão (Democracia Cristã). Em entrevista, ela destaca que uma criança que cresce sem mãe tem mais facilidade de ser cooptada por facções criminosas.
"Precisamos começar a dar um basta nisso. No meu governo, a prioridade número um serão mulheres e crianças. [...] No médio prazo, trabalharemos isso na educação infantil e na cultura das famílias. Mas, hoje, num tratamento de choque, vamos criar centros integrados de atendimento à mulher vítima da violência doméstica", detalha a candidata.
Ela comenta que, ao reunir coragem para denunciar, a mulher não encontra o acolhimento necessário na delegacia, saindo com uma lista de endereços.
"Com essa lista, ela precisa ir ao IML, que fica do outro lado da cidade, e buscar seus direitos na Defensoria Pública, também distante. Isso faz com que a pretensão de seguir com a denúncia se esvazie pela burocracia", acrescenta.
Barão explica que os centros integrados propostos em sua campanha contarão com delegacias especializadas e um posto do IML, permitindo que tudo seja feito em um único local ao momento da denúncia.
"Quando essa mulher entrar em nosso centro, ela fará um protocolo único e acessará todos os encaminhamentos. Dessa forma, ela não sairá mais da unidade. Já teremos um encaminhamento para casas de acolhimento, garantindo segurança para ela e seus filhos."
A presidenciável ainda critica a baixa representatividade das mulheres no Congresso, afirmando que, apesar dos avanços, a cota de candidatura de mulheres instituída em 1996 não resolveu completamente o problema.
"Podemos até ter ampliado minimamente, mas ainda estamos aquém do que precisamos. Somos a maioria, e nossos direitos são falados por homens, porque não são defendidos. No máximo, são mencionados por homens", critica.
Ela destaca que apresentou um recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir a participação feminina nos debates presidenciais, o qual foi negado pelo presidente da corte, o ministro Nunes Marques. Este justificou que, pela legislação, apenas candidatos de partidos com representação no Congresso e desempenho expressivo nas pesquisas podem participar.
"O ministro Nunes Marques negou nossa representação para termos direito à participação no debate, pois, segundo ele, não atendemos aos requisitos legais. Ok, mas o Renan Santos também não atende e pontua sem expressividade. Ele está com 3% a 4% e foi convidado para os debates. Por quê? Porque a mídia entende que ele é polêmico e geraria 'likes'."
Sobre segurança pública, Barão afirma que o Brasil tem leis suficientes contra o crime, mas que falta efetividade em sua aplicação. Se eleita, ela pretende sufocar financeiramente as organizações criminosas, acabar com as audiências de custódia que soltam criminosos e recuperar o controle dos presídios para privatizar as penitenciárias.
"Os EUA têm esse modelo e o preso paga. [...] Então vamos colocá-los para trabalhar e cobrir o custo que impõem ao Estado."
A presidenciável também defende a revisão dos processos referentes ao 8 de Janeiro, argumentando que muitos receberam sentenças desproporcionais. Para ela, esta é uma "questão humanitária".
"Não sou a favor de uma anistia geral, isso seria muito amplo [...] defendo veementemente que esses processos tramitados e julgados pelo STF foram muito arbitrários, sem individualização das penas, resultando em uma vala comum. Não houve proporcionalidade entre a pena e a conduta", esclarece a candidata.
Questionada sobre o fim da escala 6x1, Barão se posiciona a favor da medida, enfatizando que essa jornada afeta especialmente as mulheres.
"É uma tripla jornada, pois cuidamos dos filhos, da casa e do trabalho. Atualmente, 53% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres que arcam com as despesas, e temos que nos desdobrar para atender todas as expectativas."
No entanto, ela ressalta que, para a medida funcionar, devem existir contrapartidas entre empregadores e trabalhadores.
"O brasileiro precisa mudar a cultura. É preciso entender que, se estou em um trabalho com jornada mais flexível, preciso dar o meu melhor para que a empresa não perca rendimento. Se eu reduzir [a jornada], posso produzir melhor e procrastinar menos. Acredito que essa é uma via de mão dupla. O empresário não é inimigo do trabalhador."
Por Sputnik Brasil
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