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Homem é condenado a 87 anos de prisão por matar quatro pessoas e esconder corpos em cacimba

Regivaldo da Silva Santana foi considerado culpado por quatro homicídios qualificados; outros dois réus receberam penas por participação na ocultação dos cadáveres. Justiça também determinou indenização de R$ 60 mil aos familiares das vítima

Redação 25/08/2026
Homem é condenado a 87 anos de prisão por matar quatro pessoas e esconder corpos em cacimba
Homem é condenado a 87 anos de prisão por matar quatro pessoas e esconder corpos em cacimba - Foto: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

O Tribunal do Júri de Arapiraca condenou, nesta terça-feira (25), Regivaldo da Silva Santana a 87 anos, 4 meses e 14 dias de prisão pela morte de quatro pessoas durante uma chacina ocorrida em abril de 2024, no Sítio Laranjal, zona rural do município. A sentença foi proferida pelo juiz Alberto de Almeida, da 5ª Vara Criminal de Arapiraca.

Regivaldo foi considerado culpado por quatro homicídios qualificados, quatro crimes de ocultação de cadáver e posse ilegal de acessório de uso restrito. Ele também recebeu uma condenação de um ano de detenção e ao pagamento de 366 dias-multa por crime contra a fauna.

A Justiça determinou o cumprimento imediato da pena em regime fechado, levando em consideração a gravidade dos delitos e a periculosidade do condenado. A sentença estabeleceu ainda uma indenização mínima de R$ 15 mil para os familiares de cada vítima, totalizando R$ 60 mil.

Outros dois réus são condenados

Wesley Santana Sá e Adriano Santos Lima também foram julgados pelo Tribunal do Júri. Os dois foram apontados durante as investigações como participantes da ocultação dos cadáveres, mas não como autores das execuções.

Cada um recebeu pena de 1 ano, 6 meses e 22 dias de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 288 dias-multa.

Segundo a investigação da Polícia Civil, os dois teriam ajudado a retirar e esconder os corpos depois dos assassinatos. Eles alegaram ter sido coagidos por Regivaldo, que teria feito ameaças para obrigá-los a participar da ocultação.

Quatro pessoas foram assassinadas

A chacina aconteceu em 13 de abril de 2024. Naquele dia, Letícia da Silva Santos, de 20 anos, e Joselene de Souza Santos, de 17, estiveram na propriedade de Regivaldo, onde costumavam realizar serviços e receber ajuda.

Durante o dia, Regivaldo levou as duas ao centro de Arapiraca para sacar dinheiro e comprar uma pizza. Na volta para o sítio, o grupo encontrou Lucas da Silva Santos, de 15 anos, irmão de Letícia, e Erick Juan de Lima Silva, de 20 anos, namorado dela.

Conforme as investigações, uma discussão começou entre Lucas e Regivaldo, supostamente motivada por ciúmes. O acusado teria pegado uma arma e atirado contra a cabeça do adolescente.

Na sequência, ainda segundo a investigação, Regivaldo ordenou que as outras três vítimas se ajoelhassem e efetuou disparos contra elas. A Polícia Civil concluiu que os demais assassinatos teriam sido cometidos para eliminar possíveis testemunhas do primeiro homicídio.

Depois das execuções, dois funcionários da propriedade, que também eram sobrinhos do acusado, teriam sido ameaçados e obrigados a ajudar a esconder os cadáveres.

Corpos foram escondidos em cacimba

Os quatro corpos foram colocados em uma cacimba com aproximadamente oito metros de profundidade. O local teria sido coberto com gesso e posteriormente encoberto por uma grande escultura produzida pelo próprio acusado.

A localização dos cadáveres só foi descoberta cinco dias depois da chacina, após os familiares perceberem o desaparecimento das vítimas. A ausência de Letícia chamou especialmente a atenção porque ela não havia retornado para buscar a filha de dois anos, que estava sob os cuidados da avó.

A Polícia Civil iniciou as buscas e encontrou os quatro corpos no dia 19 de abril de 2024, dentro da propriedade rural. Os cadáveres estavam em avançado estado de decomposição e foram retirados com apoio do Corpo de Bombeiros, sendo posteriormente encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).

Prisão ocorreu durante operação policial

Regivaldo foi preso em flagrante no local onde os corpos foram encontrados. Durante a operação, os policiais apreenderam cerca de dez armas de fogo, munições, um acessório de uso restrito sem autorização e animais silvestres mantidos ilegalmente. Entre os animais estava uma cobra-píton sem documentação.

No início das investigações, o acusado apresentou versões que envolviam legítima defesa, disparo acidental e supostos furtos praticados pelas vítimas. As alegações, porém, foram afastadas no decorrer da apuração policial.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva no dia 20 de abril. Wesley e Adriano também chegaram a ser presos em Sergipe.

Ao concluir o inquérito, a Delegacia de Homicídios de Arapiraca apontou Regivaldo como único responsável material pelas quatro mortes, enquanto os outros dois investigados teriam participado apenas da ocultação dos cadáveres.

Posteriormente, Wesley e Adriano obtiveram liberdade provisória e passaram a responder ao processo em liberdade, submetidos a medidas cautelares. Entre os fundamentos considerados pela Justiça estavam a existência de residência fixa e a indicação de que os dois teriam participado da ocultação dos corpos sob coação.