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“Cheguei chorando e voltei sorrindo”: acolhimento na Casa do Autista emociona mãe de adolescente
Mãe relata que a Casa do Autista representa uma nova perspectiva para o futuro do filho e para toda a família
Moradora do Santos Dumont, na parte alta de Maceió, Maria das Graças chegou à Casa do Autista carregando dúvidas, expectativas e a preocupação comum de quem busca atendimento adequado para o filho. Mãe de José Michel, 16 anos, revelou com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2 de suporte, ela conta que a experiência vivida desde os primeiros atendimentos mudou a forma como enxergar o acompanhamento oferecido ao adolescente. “Eu cheguei chorando e voltei rindo para casa, porque eu não estava acreditando no que eu estava vendendo”, lembra.
Maria conta que, mesmo em pouco tempo de acompanhamento, já é possível perceber mudanças positivas no comportamento e na rotina do filho. Mais do que a assistência especializada, ela se destaca de maneira como a família foi recebida na unidade. "A gente chegou aqui desde o primeiro momento, até agora, muito bem acolhido. Nossa, é coisa de outro mundo o acolhimento que a gente tem aqui", diz.
Para a mãe, o diferencial é a empatia demonstrada pelos profissionais durante o atendimento. "As pessoas acolhem a gente com empatia, com respeito, com carinho em primeiro lugar. O que elas estão fazendo pela gente aqui não é pensando só no trabalho delas, elas estão indo além. A gente nunca teve esse acolhimento em outros locais", relata.
A percepção ficou ainda mais forte após uma situação vivenciada pela família na unidade. Maria conta que, na semana anterior, Michel chegou a ficar desregulado durante a chegada à Casa do Autista. A resposta da equipe, segundo ela, foi imediata e envolveu diferentes profissionais, que passaram a oferecer suporte ao adolescente, à mãe e também à avó.
"Eu fiquei muito surpresa. Toda a equipe correu para dar suporte para ele, para mim e para minha mãe. Até o condutor do transporte, que transporta a gente, teve esse apoio da equipe, porque estava todo o mundo muito envolvido com a situação", revela.
Na ocasião, a sessão de psicologia de Michel, que normalmente teria duração de 45 minutos, precisava ser ampliada diante da necessidade apresentada pelo adolescente. "O psicólogo se disponibilizou para ficar duas horas cuidando do meu filho. Isso nunca aconteceu, nunca tive isso em outro lugar. Eu fiquei olhando, assim, sem acreditar", diz Maria.
A experiência reforçou na família o sentimento de segurança e confiança no serviço. "É o carinho, o cuidado que essas pessoas estão tendo com a gente. É muita confiança, muita segurança nesse local, nessas pessoas que estão aqui acolhendo a gente", destaca.
Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, relatos como o de Maria mostram que o cuidado em saúde precisa ir além do atendimento clínico. “Quando uma família chega a um serviço de saúde, ela não traz apenas uma demanda. Ela traz expectativas, inseguranças, histórias e, muitas vezes, o cansaço de uma longa caminhada em busca de atendimento. Nosso compromisso é fazer com que essa família seja recebida com respeito, escuta e dignidade, ao mesmo tempo em que garantimos uma assistência deficiente e organizada”, pontua.
O gestor ressalta que a proposta da Casa do Autista é oferecer um cuidado integrado, considerando as necessidades individuais de cada criança e adolescente e também o contexto familiar. “O acolhimento é parte do cuidado. Uma equipe preparada, que consegue perceber uma situação de desregulação e agir de forma conjunta, transmite segurança para o paciente e para quem está ao lado dele. É esse olhar humanizado, aliado à qualidade técnica, que queremos fortalecer na rede municipal”, acrescenta Camila.
A Casa do Autista conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos. A atuação integrada amplia as possibilidades de entrega e permite que cada paciente seja atendido de maneira individualizada, respeitando suas características, necessidades e potencialidades.
Para Fabiana Lisboa, gerente-geral da Casa do Autista, a relação construída com as famílias é fundamental para que o acompanhamento tenha continuidade e produza resultados. "Não existe cuidado efetivo sem vínculo. Quando a família se sente segura para falar, para tirar dúvidas e para compartilhar o que está acontecendo, conseguimos compreender melhor as necessidades do paciente e construir estratégias mais adequadas para ele", explica.
Fabiana também lembra que cada atendimento é uma oportunidade de fortalecer a autonomia e a qualidade de vida dos usuários. "Nosso trabalho é olhar para cada criança e adolescente como um indivíduo único. O TEA se manifesta de formas diferentes, e por isso o acompanhamento também precisa ser individualizado. A equipe está preparada para trabalhar em conjunto e, sempre que necessário, ajustar as condutas para oferecer o melhor cuidado possível", ressalta.
Com esperança renovada, Maria diz acreditar que a evolução de Michel será construída passo a passo, com o apoio dos profissionais e da família. “Eu tenho certeza de que tanto o meu filho, que está precisando muito desse acolhimento agora, quanto todas as crianças, cada uma na sua condição, só têm a ganhar. Aqui só tem a ganhar. Tanto os pacientes quanto as mães, os pais e todos os envolvidos da família. A gente só tem a ganhar aqui”, afirma.
Como ter acesso
Para ter acesso aos serviços da Casa do Autista, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol. No local, será aberto o processo para avaliação.
Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.
Após a abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos. São priorizadas as pessoas que ainda não estão inseridas na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que estão em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
Depois da avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, entre eles na própria Casa do Autista. Quando a demanda ultrapassa a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, obedecendo a critérios técnicos e de prioridade.
Administrada por Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde, a Casa do Autista atua com foco em boas práticas de governança e qualidade na assistência. A proposta é integrar gestão eficiente, inovação e cuidado humanizado para ampliar a qualidade do atendimento oferecido às crianças e adolescentes com TEA e às suas famílias.
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