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Milei confirma que disputará reeleição na Argentina e diz que seu governo 'é o melhor da história'
Presidente argentino busca aprofundar reformas e defende sua gestão frente à crise diplomática com o Brasil.
O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou neste domingo (23) que buscará a reeleição em 2027 e afirmou que pretende aprofundar as reformas implementadas desde sua chegada ao poder. A decisão foi anunciada pelo próprio líder argentino durante entrevista a uma rádio local.
"Vou disputar a reeleição. Se estou fazendo o melhor governo da história, como não vou tentar a reeleição?", declarou Milei.
O presidente reconheceu que a Argentina ainda "não está bem", mas avaliou que o país está "muito melhor" do que quando assumiu o cargo, em 2023. Milei também afirmou ter cumprido uma "montanha de promessas" apresentadas durante a campanha eleitoral.
Segundo os números citados pelo mandatário, a taxa de pobreza caiu de 57% para 30%. Ele também apontou o desempenho do consumo e do PIB entre os indicadores que, em sua avaliação, demonstram os avanços de sua gestão.
"Se os argentinos quiserem continuar avançando no caminho do progresso, do crescimento, da liberdade e do bem-estar, vão me escolher", declarou.
A próxima eleição presidencial argentina está prevista para outubro de 2027, enquanto o atual mandato de Milei termina em 10 de dezembro do mesmo ano.
Crise diplomática com o Brasil
O governo argentino vive atualmente uma crise diplomática inédita com o Brasil, após ataques em sequência de Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas últimas semanas. No início do mês, o Itamaraty comunicou ao embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que as tratativas diplomáticas passarão a ser conduzidas apenas pelo encarregado de negócios da representação.
A resposta inclui também a retirada de Julio Bitelli da Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Com isso, o posto permanecerá vago enquanto Milei mantiver os ataques ao presidente brasileiro e a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão foi tomada após Milei participar, em São Paulo, do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). No evento, o presidente argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário" e classificou o ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca", após o magistrado impedir sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontaram que os insultos são parte da estratégia de Milei para fortalecer sua base em meio à queda de popularidade. "Hoje, a gente não consegue dividir tanto política externa e política interna. As duas coisas estão muito entrelaçadas", avalia a pesquisadora Beatriz Bandeira de Mello.
Segundo a especialista, Milei tem o costume de, diante sua impopularidade, reforçar sua agenda ao lado dos EUA e criar embates com parceiros tradicionais e regionais. "Ele já fez isso com a Espanha e com a Colômbia."
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