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Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de petróleo para Petrobras

Descobertas na Foz do Amazonas trazem otimismo para o futuro da estatal.

Estadao Conteudo 22/08/2026
Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de petróleo para Petrobras
Foto: © Geraldo Falcão / Agência Petrobras / Fotos Públicas

A produção de petróleo na Margem Equatorial poderá levar entre seis e sete anos, mas a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras nas águas ultraprofundas do Amapá trouxe otimismo ao mercado e à companhia. O resultado foi alcançado dez meses após o início da campanha no poço pioneiro de Morpho. Se o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, for comprovado, espera-se que os reservatórios na região garantam pelo menos mais 40 anos de produção, segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer.

"Eu vi o início da bacia de Campos e é emocionante ver que estamos participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira exploratória para uma nova geração, um sinal de longevidade para a Petrobras, que trará novos profissionais e engenheiros para o setor", avaliou Victer.

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, acrescentou que o óleo encontrado agora será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), para avaliar sua qualidade e potencial. "Vamos aguardar as análises que serão feitas no Cenpes sobre o óleo", disse Sylvia à Broadcast nesta segunda-feira.

A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras, pois poderá ajudar a repor reservas de petróleo a partir da próxima década, momento em que a produção do pré-sal tende a atingir o pico e começar a declinar. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial, além de 15 novos poços.

Os próximos passos dependem do Ibama, que analisa o pedido da estatal para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, com os últimos três anos de muita pressão da atual gestão da empresa, que conseguiu a liberação em outubro de 2025. A inglesa BP, que possuía 70% do ativo até 2021, desistiu de aguardar e vendeu sua participação para a Petrobras.

"É necessário acelerar o licenciamento dos outros poços para que possamos saber o que temos lá, ou seja, não podemos ficar nesse dilema a cada poço. Se você avançar, estaremos falando de escalas muito diferentes de atividade geológica exploratória, pois a escala aumenta", disse o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.

"Precisamos superar o debate que estava acontecendo anteriormente do ponto de vista da viabilidade ambiental, uma vez que não estamos apenas falando de furar mais um poço, mas de furar três ou mais. Na Guiana, já foram mais de cem poços. Até a comprovação dos reservatórios e o início de um grande volume, diversas declarações de comercialidade serão necessárias", acrescentou o acadêmico.

Logo após a descoberta, anunciada na última sexta-feira, 14, o doutor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, ressaltou a importância do Ibama em agilizar as licenças ambientais. "Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para afirmar se é uma descoberta relevante ou não. Mas é uma boa notícia que evidencia a importância do Ibama em acelerar as licenças ambientais", afirmou.

Sem Efeito

O analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, considerou a descoberta positiva, mas ainda sem informações suficientes para "fazer preço" na ação da estatal. "Uma precificação consistente exigiria evidências de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica em relação ao portfólio já contratado da Petrobras. Até lá, a descoberta deve ser tratada como opcionalidade exploratória, sem efeito sobre nosso preço-alvo ou recomendação", explicou o analista.

Conforme ele, a identificação de hidrocarbonetos (petróleo e gás) no bloco FZA-M-59 é positiva, pois melhora a perspectiva exploratória da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, área central para a reposição de reservas no longo prazo.

Para o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, a descoberta cria condições para que o governo acelere os leilões na região e aumente o apetite privado por blocos da Margem Equatorial. A análise de Moreira Neto é de que a governança não deve se opor aos investimentos necessários para a região. "É um anúncio que confirma o apetite de quem participou do leilão e que deve ter uma boa influência na corrida daqui para frente. Ainda há muitos riscos, mas todos os operadores já posicionados são de classe mundial e muito eficientes", destacou. "É uma região que exige um movimento exploratório intenso, mas não vejo como uma boa ideia tentar aumentar muito os prêmios em um cenário de competição global por investimentos", avaliou.

Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Para que os blocos sejam efetivamente oferecidos, ainda é necessário concluir a análise ambiental e a emissão da Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e Clima (MMA). "Há uma dependência muito grande da construção com órgãos ambientais, mas com a primeira descoberta, talvez possamos ver um ritmo melhor", acrescentou o advogado.

Em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o professor da PUC e ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, destacou que a Margem Equatorial poderá mudar a geopolítica nacional caso se torne realmente uma nova província petrolífera do país. "Isso mudará a geopolítica nacional em termos de poder econômico e industrial, porque se ali efetivamente se tornar uma nova província petrolífera, pode ser um novo caminho para a redenção econômico-social da região", afirmou Zylbersztajn.