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Metrô adia resultado de licitação para expansão do monotrilho de Congonhas; saiba nova data
Contratação dos estudos técnicos foi postergada para setembro
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô SP) informou que adiou a divulgação do resultado da licitação para contratar os estudos e projetos técnicos para a expansão da Linha 17-Ouro, monotrilho que liga o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital.
O contrato prevê a adaptação do projeto básico e a elaboração do projeto executivo da obra para mais quatro estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista.
A escolha da empresa responsável pelos estudos técnicos deveria ter sido divulgada nesta quinta-feira, 20, mas foi postergada para 19 de setembro.
Atualmente, a fase não envolve a contratação da obra, apenas dos projetos e estudos técnicos. A estimativa é que as novas estações comecem a ser construídas em 2029 e sejam entregues em 2032.
A licitação dos projetos selecionará a proposta mais barata e com o melhor embasamento técnico. As ofertas variaram de R$ 49 milhões a R$ 91 milhões:
- Consórcio Projetista Linha 17-Monotrilho (ARX Brasil, Themag Engenharia e Gerenciamento, Metroeng Engenharia, Arquiteto Pedro Taddei e Associados e Ettec Consultoria Especializada em Engenharia de Mobilidade): R$ 48.985.070,73;
- Consórcio Hidroconsult-Agência E-Bonin: R$ 63.586.090,66;
- Consórcio Egis-Sener-Setec-EGT: R$ 71.305.926,25;
- Consórcio IMNP 17 (Intertechne Consultores S.A., Maubertec Tecnologia em Engenharia, Nova Engenharia S.A. e Pólux Engenharia): R$ 91.361.067.
Foram apresentadas outras três propostas, que foram automaticamente desclassificadas devido à ausência de documentos obrigatórios.
Entenda a expansão
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O projeto original do monotrilho previa 18 estações, conectando o Estádio do Morumbi ao Terminal Rodoviário do Jabaquara, passando pelo aeroporto. Contudo, apenas oito paradas foram construídas, após mudanças, atrasos e problemas contratuais.
O trecho entre Congonhas e a Estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda de trens foi inaugurado de forma parcial em março - o funcionamento pleno é previsto para outubro. O monotrilho opera apenas das 9h às 16h de segunda a sexta-feira, com intervalos maiores entre as viagens.
Apesar dessas mudanças, o governo estadual mantém planos de construir o itinerário completo. O Metrô espera entregar até 2034 todas as 18 estações.
A expansão da linha foi dividida em duas etapas, sendo que a primeira fase envolveu as oito estações já entregues:
- Fase dois: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista (quatro estações);
- Fase três: Estádio Morumbi, São Paulo-Morumbi, Vila Babilônia, Cidade Leonor, Hospital Sabóia e Jabaquara (seis estações).
A licitação atual envolve a adequação do projeto básico original da fase dois e a elaboração do projeto executivo para essa etapa. Esse ajuste é necessário, considerando que já se passaram mais de dez anos desde o desenho da linha. Esta fase deve levar cerca de dois anos.
Após isso, a licitação para construção será realizada em 2028, e, caso não ocorram imprevistos, o Estado espera iniciar as obras em 2029. O projeto deverá ser concluído em três anos, com operação prevista para 2032.
Neste momento, a companhia procura já ter iniciado a fase três. "Enquanto as obras do trecho de Vila Paulista até Américo Maurano estão em andamento, estaremos realizando a contratação do projeto executivo e obras do trecho adjacente", afirma o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.
Dessa forma, o Metrô pretende entregar a fase três até 2034. "Não irei esperar concluir o trecho dois para iniciar a licitação, o projeto executivo e as obras do outro trecho. Isso ocorrerá simultaneamente", assegura Rodrigues.
Tarcísio pretende rever concessão de monotrilho
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição, declarou que pretende rever o contrato com a concessionária Motiva, que seria responsável pela operação da linha após a fase de testes.
A avaliação é que o monotrilho poderá ser deficitário, demandando mais gastos para operá-lo do que as futuras receitas com as passagens (atualmente, o bilhete custa R$ 5,40).
Segundo Tarcísio, retirar a Linha 17 do contrato possibilitaria que a sobra do valor fosse utilizada para melhoria nas outras linhas concedidas, como a 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens, e 4-Amarela e 5-Lilás de metrô.
O governador enfatiza que esta medida só será tomada se houver interesse da empresa, não havendo um prazo definido para essa decisão.
Em nota, a Motiva informou que está acompanhando as manifestações do governo e reconhece o interesse já demonstrado nessa direção.
Monotrilho sai do papel 13 anos após o prazo prometido
O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010 como uma das obras da Copa do Mundo de 2014, com a intenção de levar os torcedores até o Estádio do Morumbi, que inicialmente seria o local de alguns jogos.
Entretanto, a organização do Mundial optou pelo Estádio do Corinthians, em Itaquera. As obras perderam financiamento federal e, em 2014, as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez, responsáveis pela construção, tornaram-se alvo da Operação Lava Jato, que investigou esquemas de corrupção.
Durante a operação, várias empresas do setor foram responsabilizadas por pagamento sistemático de vantagens indevidas e fraudes em licitações vinculadas a contratos do governo federal. Estima-se que a rede de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro investigada pela Lava Jato tenha movimentado cerca de R$ 10 bilhões.
O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. As obras ficaram paralisadas por anos e foram retomadas somente em 2020. Mesmo assim, o projeto passou por novas trocas de empresas e interrupções. "Enfrentamos dificuldades com várias contratadas e conseguimos superar esses desafios", disse Rodrigues, do Metrô.
A equipe do ex-governador Geraldo Alckmin, que prometeu o monotrilho, justificou que o prazo foi estipulado após consultas ao mercado. A assessoria de Alckmin - atualmente vice-presidente da República pelo PSB - ressaltou que a Lava Jato afetou as condições financeiras do setor.
Em 2010, o projeto para 18 estações estava orçado em R$ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 7,1 bilhões em valores atualizados pela inflação), com recursos previstos entre os governos federal, estadual e municipal.
O custo final da primeira etapa da obra alcançou R$ 5,97 bilhões. De acordo com o governo do Estado, esse valor atual inclui estruturas que atenderão à linha, além de despesas com contratos paralisados.
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