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Guerra no Irã expõe fraqueza dos EUA e Oriente Médio entra em fase pós-americana, diz analista

Reconfigurações geopolíticas evidenciam a perda de influência americana na região.

Sputnik Brasil 19/08/2026
Guerra no Irã expõe fraqueza dos EUA e Oriente Médio entra em fase pós-americana, diz analista
Análise sobre a influência dos EUA no Oriente Médio em meio à guerra com o Irã. - Foto: © AP Photo / Alex Brandon

A prolongada guerra de atrito entre Washington e Teerã não apenas expõe rachaduras profundas e gargalos logísticos na máquina militar norte-americana, mas também acelera o declínio da influência dos Estados Unidos no Oriente Médio, em um momento em que a região passa por uma intensa reconfiguração geopolítica.

Neste cenário complexo, um dos sinais de enfraquecimento político é que, regionalmente, uma área que compreende o golfe Pérsico passa por uma fase "pós-americana", conforme ressalta Rafael Firme, mestrando em estudos estratégicos internacionais e pesquisador do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações Internacionais do Mundo Árabe (NUPRIMA), em entrevista à Sputnik Brasil.

“O nível político, fracassou a diplomacia americana. É um sinal de fraqueza porque Israel não aceita o que os EUA determinam em Gaza, Líbano e Irã.

O analista internacional destaca que esse rearranjo entre países no entorno estratégico do Estreito de Ormuz, sem a interferência dos Estados Unidos, faz parte de um novo cenário multipolar.

"Isso é um sinal de multipolaridade. A gente pode analisar isso em dois níveis entre as grandes potências: EUA, Rússia e China, mas a Europa não está incluída na minha análise. Nesse escopo, cada potência governa a sua área [entorno estratégico]. No entanto, os EUA têm problemas no Oriente Médio, que hoje também é multipolar. A Arábia Saudita, o Irã, a Turquia e Israel estão brigando pela primazia na região", comenta.

Irã põe o poder bélico dos EUA em xeque

No âmbito militar, Rafael Firme enfatiza que Washington vem fracassando perante os olhos do mundo. Segundo sua análise, Teerã, embora seja uma potência média regional com capacidade limitada em relação ao arsenal estadunidense, conseguiu impor reveses à superpotência.

"[Os EUA] não conseguem sustentar uma guerra com uma potência média, que é o Irã, e nem lidar com seus pares. Isso é muito importante, como o relatório de que militares americanos estão pensando em suicídio e que os navios não estão dando conta. Ou seja, a unipolaridade não existe mais. A Rússia e a China estão dominando seus entornos estratégicos, enquanto os EUA são incapazes de manter um porta-avião", destaca.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é que essa incapacidade de solucionar o conflito por meio da incursão militar demonstra que os Estados Unidos deixaram de ser um garantidor de segurança para seus aliados, tornando-se um ator extrarregional não confiável.

“Os Acordos de Meca são apenas uma expansão do acordo saudita-paquistanês de 2025. Eles podem até não se confirmar e não se defenderem mutuamente, mas a mensagem é clara: os Estados Unidos não são mais um aliado confiável na garantia da segurança [regional]”, observa.

EUA têm histórico de derrotas em suas intervenções

Firme relembra que a maioria das intervenções dos Estados Unidos na Ásia Ocidental, conhecida como Oriente Médio, resultaram em sucessivos fracassos, e, conforme sua avaliação, o conflito em curso indica a repetição desse padrão.

“O professor Paulo Vicentini [acadêmico brasileiro] já afirmou: nós vivemos a guerra dos 30 anos. Ele se refere à segunda guerra do Golfo, à guerra do Kuwait e à guerra do Afeganistão.

No contexto atual do sistema-mundo, as crises, embora pareçam regionais, movem também atores extrarregionais. No caso do confronto no estreito de Ormuz, a resistência iraniana, além de colocar o poder bélico norte-americano em dúvida, deixa a Casa Branca vulnerável diante de seus próprios aliados.