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Por que a América Latina e o Caribe sofrem com a fome mesmo sendo potência agroalimentar?

Financiamento e acesso ao crédito permanecem como desafios para produtores.

Sputnik Brasil 19/08/2026
Por que a América Latina e o Caribe sofrem com a fome mesmo sendo potência agroalimentar?
Desafios do agroalimentar na América Latina e Caribe - acesso ao crédito e fome persistente. - Foto: © AP Photo / Bruna Prado

A América Latina e o Caribe são uma potência agroalimentar global; contudo, 32 milhões de pessoas ainda sofrem de fome. Quase 70% dos produtores de alimentos enfrentam obstáculos para acessar financiamento formal, segundo a FAO.

Esse paradoxo ocorre apesar de que entre US$ 700 bilhões (cerca de R$ 3,6 trilhões) e US$ 900 bilhões (mais de R$ 4,6 trilhões) administrados por instituições financeiras de desenvolvimento poderiam ser direcionados ao setor. Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) defendeu uma melhor focalização dos investimentos para que cheguem aos pequenos produtores e às áreas rurais com maior potencial de impacto.

Durante o encontro "Investindo nos Sistemas Agroalimentares da América Latina e do Caribe", René Orellana Halkyer, representante regional da FAO, destacou que a transformação dos sistemas agroalimentares exige mais do que a disponibilização de recursos. É essencial definir o grau de investimento e como incorporar mais produtores.

Um jornal de grande circulação no México destacou que um dos principais obstáculos para os produtores é o acesso limitado ao crédito formal, apesar da disponibilidade de recursos financeiros. Para lidar com essa situação, a FAO propõe a criação de "ecossistemas financeiros territoriais" que conectem produtores, governos, empresas, instituições financeiras, mercados e políticas públicas.

O objetivo é que o financiamento seja adaptável aos ciclos de produção e às condições econômicas, sociais, ambientais e climáticas de cada região. A organização acredita que essa abordagem permitiria uma resposta mais eficaz às necessidades das comunidades rurais.

Orellana também propôs substituir o financiamento de projetos individuais por portfólios de investimento territorial que integrem produção, infraestrutura, cadeias de valor, conectividade, mercados e serviços técnicos.

Entre as ferramentas propostas estão garantias, financiamento misto, fundos de primeira perda, seguro agrícola e assistência técnica durante a fase de pré-investimento. Segundo a FAO, esses mecanismos podem melhorar a qualidade dos projetos e facilitar o acesso a recursos para mais produtores.

"Transformar os sistemas agroalimentares exige não apenas mobilizar mais recursos, mas também decidir onde investir, quais capacidades fortalecer e como incorporar mais produtores às cadeias de valor", afirmou Orellana.

O veículo de comunicação mexicano informou que a agência das Nações Unidas opera atualmente mais de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5,2 bilhões) por meio de cerca de 400 projetos em 32 países da América Latina e do Caribe, em colaboração com governos, produtores, cooperativas, pequenas e médias empresas rurais, comunidades e autoridades locais.

O desafio, concluiu Orellana, é garantir que uma maior proporção dos recursos disponíveis chegue diretamente aos produtores e às áreas rurais, especialmente considerando as restrições fiscais dos governos. Para a FAO, melhorar o acesso ao financiamento é fundamental para aproveitar o potencial agroalimentar da região e reduzir os níveis persistentes de fome.


Por Sputinik Brasil