Geral

Ibovespa registra 11ª queda seguida, a maior sequência em três anos

Analisando o impacto das incertezas eleitorais e internacionais

Estadao Conteudo 18/08/2026
Ibovespa registra 11ª queda seguida, a maior sequência em três anos
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Em um dia de poucos catalisadores, o Ibovespa tentou, mas não conseguiu romper a sequência de quedas ao longo de agosto, marcando nesta terça-feira seu 11º tombo - a maior esteira de baixas em três anos. O recuo abre espaço para uma recuperação do índice, mas analistas ressaltam que as dúvidas em relação ao cenário eleitoral e no exterior continuam a inibir os investidores de montarem posições mais direcionais.

O índice encontrou suporte, em uma ponta, nas ações da Petrobras. Voláteis, os papéis oscilaram entre o campo negativo e positivo. No fim do pregão, as ações preferenciais firmaram alta de 0,31%, enquanto as ordinárias registraram alta de 0,15%. Por outro lado, o desempenho negativo do setor bancário seguiu pesando sobre o Ibovespa, com Itaú e Bradesco entre os destaques.

"Agradou a notícia sobre a Margem Equatorial e a descoberta de petróleo no poço Morpho, e a alta do petróleo ajuda muito a Petrobras. No entanto, de forma geral, o mercado continua em dúvida com a bolsa", afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.

No saldo do dia, o principal índice da B3 terminou a sessão em baixa de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, após ter chegado a bater no piso de 166.211,30 pontos pela manhã.

As preocupações com o avanço das negociações entre EUA e Irã para a abertura do Estreito de Ormuz mantêm os preços do petróleo em ascensão. Nesta terça, o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 0,17%, a US$ 91,02 o barril. O avanço da commodity continua sendo um elemento positivo para a Petrobras.

Simultaneamente, os conflitos no Oriente Médio seguem como pano de fundo para o movimento contido dos investidores estrangeiros com ativos de maior risco, em razão da inflação global, que pode levar os bancos centrais a manter os juros elevados por mais tempo. Nesse contexto, a ata do Federal Reserve (Fed), que será divulgada na quarta-feira, é um ponto de atenção.

Sensíveis a cada nova notícia sobre os conflitos entre EUA e Irã, e sem indicativos claros para o cenário fiscal a partir do ano que vem, os investidores estrangeiros continuam retirando recursos da bolsa e buscando outras opções de investimento, destaca Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital.

"O dia por aqui é morno, sem novidades, acompanhando um pouco as questões eleitorais. A política começa a interferir um pouco mais", afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.