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Comércio Brasil-ASEAN pode superar intercâmbio com EUA e União Europeia, diz Vieira

Sputnik Brasil 18/08/2026
Comércio Brasil-ASEAN pode superar intercâmbio com EUA e União Europeia, diz Vieira
Ministro Mauro Vieira discute ampliação do comércio com a ASEAN durante visita histórica. - Foto: © Sputnik Brasil / Leonardo Sobreira

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu nesta terça-feira (18), no Palácio Itamaraty, em Brasília, o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), Kao Kim Hourn, durante uma visita de trabalho ao Brasil que ocorre entre os dias 17 e 21 de agosto, a convite do governo brasileiro.

A visita marca a primeira vez que um secretário-geral da ASEAN está no Brasil e foi considerada por Vieira como um "marco" nas relações entre o país e o bloco. Segundo o Itamaraty, os dois líderes discutiram questões essenciais da agenda bilateral, com destaque para comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, biodiversidade e cooperação para o desenvolvimento.

"A visita ocorre em momento particularmente propício", afirmou Vieira à imprensa, ressaltando a intensificação das relações com os países da região do Sudeste Asiático. O ministro destacou que "a aproximação com a ASEAN está alinhada à estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de diversificação das parcerias externas".

"A ASEAN é um epicentro do crescimento global", enfatizou Vieira, ressaltando o aumento constante do comércio e prevendo que, se o ritmo atual se mantiver, o comércio com o bloco poderá em breve superar o volume das trocas comerciais com os Estados Unidos.

Além disso, o ministro expressou a satisfação do governo brasileiro em ter o Timor-Leste, um país lusófono, entre os membros da ASEAN. "O Brasil aspira a se tornar um Parceiro de Diálogo da ASEAN", afirmou. Vieira também pontuou que "Brasil e ASEAN podem fortalecer a cooperação Sul-Sul, promovendo investimentos para reforçar o Sul Global".

Hourn, por sua vez, mencionou a "visita histórica" do presidente Lula na última cúpula do grupo, em outubro de 2025, afirmando que "ASEAN e Brasil são parceiros naturais", ao destacar o dinamismo econômico e a biodiversidade rica dos países do bloco e do Brasil.

O secretário-geral fez questão de realçar a intenção de intensificar os fluxos comerciais. Comércio, investimentos, transformação digital, segurança alimentar e sustentabilidade foram algumas das áreas citadas como oportunidade para aprofundar a cooperação. "Turismo e intercâmbios acadêmicos devem crescer", afirmou Hourn.

Ele também destacou que "compartilhamos o compromisso com o multilateralismo e a ordem internacional baseada em regras", sublinhando a importância do respeito à soberania nacional.

Dentre as atividades programadas, Hourn manterá reuniões com altos funcionários do governo brasileiro e representantes de setores estratégicos, incluindo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller; o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá.

A aproximação com o Sudeste Asiático já havia ocorrido no dia 11 de agosto, quando Vieira recebeu a secretária do Departamento de Relações Exteriores das Filipinas, Maria Theresa P. Lazaro.

Essas visitas refletem o interesse mútuo entre Brasil e os países do Sudeste Asiático em ampliar comércio e investimentos em um cenário global marcado por tarifas unilaterais impostas pelos Estados Unidos a diversos países, afetando especialmente setores da economia brasileira.

Enquanto o governo busca negociar com Washington, recursos palacianos informam que as portas para diálogo foram fechadas, o que fortalece a avaliação de que é crucial buscar mercados alternativos, especialmente para apoiar os setores da economia brasileira mais impactados pelo tarifaço. A ASEAN é composta por onze países do Sudeste Asiático: Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã. O bloco representa uma das regiões economicamente mais dinâmicas do mundo e, com sede em Jacarta, é uma organização de natureza econômica e política, visando promover a cooperação intergovernamental e facilitar a integração econômicopolitica, securitária, educacional e sociocultural entre seus membros e países parceiros. Em 2025, o comércio entre o Brasil e os países da ASEAN atingiu US$ 38,4 bilhões (R$ 200,1 bilhões), tornando a ASEAN o quinto maior parceiro comercial brasileiro — atrás apenas da China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul —, com 15% do superávit comercial brasileiro no período, que foi de US$ 10,3 bilhões (R$ 53,6 bilhões), segundo informações do Itamaraty.

O intercâmbio com a ASEAN tem crescido, em média, cerca de 15% ao ano desde 2020, ritmo muito superior ao observado com parceiros tradicionais. O Brasil é o único país da América Latina com status de Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN.


Por Sputinik Brasil