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Destruição controlada surge como aposta realista para defesa da Terra, aponta estudo
Análise revela eficácia de explosões nucleares em asteroides
Explosões nucleares podem, em teoria, destruir ou desviar asteroides perigosos: simulações mostram que a detonação próxima à superfície libera raios X capazes de vaporizar material, fraturar a rocha e alterar sua velocidade, oferecendo uma possível última linha de defesa planetária.
Um asteroide grande o suficiente e próximo da Terra pode representar uma ameaça séria, já que mesmo rochas do tamanho de um campo de futebol seriam capazes de destruir cidades inteiras. Muitos desses objetos são escuros e difíceis de detectar, o que limita a capacidade de defesa e torna inviável imaginar soluções simples, como escudos espaciais.
Entre as alternativas estudadas, uma das mais discutidas envolve o uso de ogivas nucleares. Embora pareça ficção científica, simulações recentes indicam que a detonação de uma bomba de um megaton nas proximidades de um asteroide de 160 metros poderia funcionar como estratégia de mitigação. Testar isso na prática, porém, é inviável, já que armas nucleares não estão disponíveis para experimentos e pousar espaçonaves em asteroides é extremamente complexo.

O novo estudo, porém, mostra que a bomba não precisa tocar o asteroide e que a detonação a alguns metros da superfície seria suficiente para liberar uma grande quantidade de raios X, responsáveis por aquecer, vaporizar e expulsar material da camada externa da rocha. Esse jato de material altera a velocidade do asteroide, funcionando como um impulso capaz de desviá-lo ou fragmentá-lo.
Além da ablação superficial, a energia dos raios X gera uma onda de choque interna que pode fraturar o asteroide. Para investigar esse efeito, os pesquisadores simularam três cenários em 3D usando a forma e a estrutura porosa de Bennu como referência, ajustando parâmetros como distância da explosão e resistência da rocha com base em meteoritos reais.

Na simulação mais intensa, com a bomba a dez metros da superfície, mais de 98% do asteroide foi danificado e quase todo o material ganhou velocidade superior à de escape, indicando fragmentação completa. Curiosamente, ao afastar a bomba para 25 metros, a área atingida pelos raios X aumentou e o dano se tornou ainda mais distribuído, sugerindo que a proximidade máxima nem sempre é a melhor estratégia.
Apesar dos resultados promissores, as simulações exigiram enorme poder computacional e acompanharam apenas frações de segundo após a explosão. Não foi possível determinar o destino final dos fragmentos: eles podem se dispersar com segurança, permanecer grandes o suficiente para causar danos ou até se reagrupar gravitacionalmente.
Mesmo com essas incertezas, o estudo representa um avanço importante na avaliação da viabilidade de armas nucleares como última linha de defesa planetária, reforçando que estratégias de destruição controlada podem ser consideradas.
Os autores destacaram ainda que simulações de alta fidelidade são essenciais para expandir o entendimento sobre mitigação nuclear e preparar respostas de emergência.
Por Sputinik Brasil
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