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'Não há vontade política': presidente de Ceuta acusa Madri de inação diante da crise migratória
Vivas alerta sobre a falta de medidas eficazes e a situação de alto risco na cidade autônoma.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, acusou o governo espanhol de distorcer a realidade e de inação diante da crise migratória nesta cidade autônoma, um semiexclave espanhol no norte do Marrocos. Segundo ele, a região ainda está longe da normalidade.
"Nos primeiros dias de agosto, o governo nacional tentou minimizar a situação, alegando que Ceuta havia retornado à normalidade em 48 horas e que apenas 2.500 pessoas permaneciam na cidade, das aproximadamente 80.000 que haviam cruzado a fronteira em massa. Depois desses primeiros dias de agosto, houve uma inação quase completa na tomada das medidas necessárias para o retorno à normalidade", declarou Vivas ao final de uma reunião extraordinária do gabinete.
Durante uma coletiva de imprensa, o presidente de Ceuta insistiu que não haverá retorno à normalidade até que todos aqueles que cruzaram ilegalmente para a cidade autônoma nos dias 30 e 31 de julho retornem ao Marrocos.
"Não estamos causando alarde [...], estamos simplesmente cumprindo a nossa obrigação de reportar o que está acontecendo. E o que está acontecendo é que, até hoje, quase 20 dias após o ataque, os indivíduos que participaram e que permanecem na nossa cidade ainda não foram identificados", sublinhou.
Vivas salientou que Ceuta se encontra "em uma situação de alto risco no que diz respeito à segurança pública, ao funcionamento dos serviços, à coesão social e à segurança nacional".
"Não sabemos que medidas serão tomadas para assegurar a fronteira, para garantir a segurança da nossa integridade territorial. Não sabemos que medidas serão tomadas para revitalizar Ceuta, tanto emocional como economicamente. Não adianta nos dizerem que não se pode fazer; não há vontade política para o fazer", sublinhou.
Nos dias 30 e 31 de julho, milhares de pessoas entraram irregularmente na cidade autônoma de Ceuta, o enclave espanhol na África que faz fronteira com o Marrocos. Segundo dados do Ministério do Interior espanhol, cerca de 72.000 imigrantes entraram na cidade.
A incursão em massa começou após a circulação de um rumor nas redes sociais de que aqueles que chegassem a território espanhol não seriam devolvidos ao Marrocos. Ao descobrirem que isso era falso, a grande maioria dos imigrantes retornou ao território marroquino.
Por Sputinik Brasil
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