Geral
Milhares tomam Avenida Paulista em ato que celebra religiões afro-brasileiras
Marcha para Exu une fiéis contra o racismo religioso e pela valorização do candomblé e umbanda.
O evento é organizado desde 2023 pelo ativista Jonathan Pires, autodenominado sacerdote e criador de páginas voltadas à divulgação das religiões de matriz africana nas redes sociais.
Milhares de pessoas ocuparam neste domingo (16) a Avenida Paulista, em São Paulo (SP), para a quarta edição da Marcha para Exu, manifestação que reúne fiéis de candomblé e umbanda em defesa do orixá Exu e contra o racismo religioso no Brasil.
Vestidos predominantemente de preto e vermelho, cores associadas à entidade, os participantes caminharam ao som de atabaques sob o lema "Nunca foi sorte, sempre foi macumba".
Segundo os organizadores, a marcha nasceu como resposta à associação histórica entre Exu e figuras demoníacas do cristianismo — leitura que, segundo pesquisadores da área, distorce o papel do orixá, tradicionalmente descrito como mensageiro entre divindades e seres humanos e guardião dos caminhos.
Em 2023, a Polícia Militar estimou público de cerca de 60 mil pessoas na Paulista. Já em 2024, a segunda edição reuniu mais de 150 mil participantes, segundo estimativas policiais.
De acordo com o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de brasileiros que se declaram praticantes de umbanda ou candomblé triplicou em relação a 2010, passando de 0,3% para 1,05% da população, equivalente a cerca de 1,8 milhão de pessoas.
Pesquisadores do próprio instituto atribuem parte do salto não a um aumento repentino de conversões, mas a uma maior disposição das pessoas em declarar publicamente sua fé, após décadas em que muitos adeptos se identificavam como católicos ou espíritas por receio de discriminação.
Rio Grande do Sul lidera ranking nacional, com 3,19% da população local declarando-se praticante, seguido por Rio de Janeiro (2,58%) e São Paulo (1,47%). A Bahia aparece em quarto lugar, com 1%.
Mesmo levantamento indica que praticantes de umbanda e candomblé têm, em média, menor taxa de analfabetismo e maior proporção de pessoas com Ensino Superior completo.
Mais lidas
-
1MILITAR
Submarino Humaitá começa primeiro deslocamento internacional apesar das tensões diplomáticas entre Argentina e Brasil
-
2ARQUEOLOGIA
Estátua de 2,4 mil anos é encontrada sob pavimento romano na Turquia
-
3POLÍTICA
Cooperação técnico-militar histórica: Rússia reforça laços com a Marinha do Brasil no Rio
-
4RESPONSABILIDADE FISCAL
18 prefeituras estouram teto da folha; Rio Largo e Palmeira são as maiores cidades da lista
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas