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Lula defende soberania sobre minerais críticos e Alckmin destaca reindustrialização do país
Discurso marca início da campanha à reeleição do presidente
Sob o lema "O Brasil pronto pra mais", o ato reuniu apoiadores de sete partidos da base aliada: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início, neste domingo (16), a sua campanha à reeleição no Estádio Municipal 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco das greves dos metalúrgicos do ABC no fim da década de 1970, período em que Lula despontou como liderança sindical.
Em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil deve deter a cadeia produtiva desses recursos. "Queremos colocar nossas meninas e nossos meninos para estudar como é que a gente vai explorar esse minério, como é que a gente vai transformá-lo, como é que a gente vai produzir os celulares, os chips, as baterias elétricas".
"A gente não quer exportar o mineral bruto. Queremos extrair aqui, transformá-lo, industrializar aqui, produzir aqui", completou Lula, ao afirmar que nem "Estados Unidos, nem a Rússia, nem a China, nem a França, nem a Inglaterra, ninguém vai explorar os nossos minerais críticos."
O presidente dedicou parte do discurso às mulheres, citando as trajetórias da mãe, Dona Lindu, da ex-mulher Marisa Letícia e da primeira-dama, Janja, para defender o combate ao feminicídio e cobrar uma mudança de postura dos homens.
"Vocês, mulheres, não baixem a cabeça nunca. Nós homens precisamos aprender a respeitar vocês como companheiras e não como serviçais. Não é possível que a gente não acabe com essa violência".
Lula também abordou a segurança pública, tema apontado por pesquisas de opinião como uma das principais preocupações do eleitorado, defendendo maior atuação do governo federal no combate ao crime organizado.
Na sequência, criticou a oposição e atribuiu à direita a responsabilidade por mortes durante a pandemia de Covid-19. "Enquanto for vivo, não vou permitir parar de lutar e deixar com que a direita volte a esse país", afirmou. "Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio. Uma direita que é responsável pela morte de 400 mil pessoas da Covid por irresponsabilidade com a vacina", completou.
O presidente ainda lembrou que, preso durante a ditadura, obteve autorização para comparecer ao enterro da mãe, Dona Lindu, diferente de quando esteve preso pela Operação Lava Jato, e em 2019, não teve o mesmo direito concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, por ele próprio indicado à Corte em 2009, para ir ao enterro do irmão, Vavá.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), companheiro de chapa de Lula, citou fechamento de montadoras em anos anteriores e a posterior ocupação dessas plantas por novas empresas. "Onde tinha Mercedes, hoje está GWM, produzindo veículo, e uma segunda fábrica do Espírito Santo começando. Onde estava a Ford, hoje está a Audi, produzindo veículos para o Brasil inteiro. Onde estava a Troller, está a General Motors".
O vice-presidente também mencionou fábrica da Avibras, em Jacareí (SP), fechada cinco anos atrás e reaberta este ano, hoje empregando 480 trabalhadores, segundo ele. Também citou acordos comerciais firmados pelo Mercosul durante o governo Lula, com Cingapura, com a EFTA (associação que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) e com a União Europeia, este último, disse, aguardado há 25 anos.
O ex-governador paulista disse que o ato reunia militância "em defesa da soberania" e "em defesa do nosso Pix", em referência ao sistema de pagamentos do Banco Central, que passou a ser alvo de tarifas dos Estados Unidos.
A organização do evento esperava reunir cerca de 30 mil pessoas na Vila Euclides. O ato foi primeiro grande encontro público da chapa Lula-Alckmin desde a oficialização da candidatura à reeleição, na Convenção Nacional do PT, em 2 de agosto. Fernando Haddad (PT), candidato ao governo, também esteve presente.
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