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Cuba acusa EUA de provocar crise social para derrubar governo

Asfixia econômica e sanções impactam a ilha

Sputnik Brasil 15/08/2026
Cuba acusa EUA de provocar crise social para derrubar governo
Cuba acusa EUA de tentar desestabilizar seu governo por meio de sanções econômicas. - Foto: © AP Photo / Desmond Boylan

O governo de Cuba acusou os Estados Unidos de intensificar a pressão econômica contra a ilha com o objetivo de provocar insatisfação popular e estimular uma mudança na ordem constitucional do país, em meio ao agravamento das restrições sobre o setor energético cubano.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que a política de "máxima pressão e asfixia econômica" adotada por Washington representa uma continuidade das medidas implementadas durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. Segundo o ministro, as ações atingem principalmente as fontes de receitas externas de Cuba e reduzem a capacidade do governo de garantir bens e serviços básicos à população.

"Eles identificam e atacam sem piedade as principais fontes de ingresso externo da economia cubana, para reduzir a capacidade de nosso governo de fornecer bens e serviços básicos e provocar assim irritação na população, uma explosão social e uma mudança na ordem constitucional", afirmou Rodríguez.

O chanceler citou cinco medidas adotadas pelos Estados Unidos contra Havana, entre elas 24 multas que, segundo o governo cubano, somam mais de US$ 4,4 bilhões (R$ 22,9 bilhões), além da reinclusão de Cuba na lista americana de países que patrocinam o terrorismo, em 2021 e 2025, e da inclusão do Banco Financiero Internacional na relação de entidades cubanas submetidas a restrições.

A ofensiva ganhou força nos últimos meses, com Washington ampliando as medidas contra empresas ligadas ao setor energético cubano. O pacote de sanções aprovado em 23 de julho aumentou a pressão sobre uma economia que já enfrenta dificuldades para garantir o abastecimento de combustível.

Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) também criticaram as medidas americanas e afirmaram que elas podem agravar a situação da população cubana. Segundo os especialistas, as restrições atingem simultaneamente energia, transporte, irrigação e serviços básicos, com impactos mais severos sobre mulheres, crianças, idosos, agricultores e outros grupos vulneráveis.

As agências da ONU que atuam em Cuba já haviam alertado para o aumento dos riscos de insegurança alimentar e para a escassez de medicamentos e outros produtos essenciais. Os especialistas afirmaram que alimentos não devem ser utilizados como instrumento de pressão política e defenderam o fim das medidas coercitivas unilaterais contra a ilha.

Em janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que autorizou a aplicação de tarifas sobre produtos importados de países que forneçam petróleo a Cuba. O presidente americano também declarou emergência nacional em razão do que classificou como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos proveniente da ilha.

Havana sustenta que as medidas fazem parte de uma estratégia para estrangular sua economia e provocar uma mudança de governo. Washington, por sua vez, mantém a pressão sobre o governo cubano no âmbito de sua política de sanções.


Por Sputinik Brasil