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No mercado de juros, DIs longos sobem com atenção a fiscal

Acumulação de prêmios nos juros futuros é influenciada por fatores externos e políticos.

Estadao Conteudo 14/08/2026
No mercado de juros, DIs longos sobem com atenção a fiscal
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Os juros futuros subiram pelo quinto pregão consecutivo, acumulando prêmio de cerca de 30 pontos-base no miolo da curva e aproximadamente 40 pontos no vértice longo nesta semana, marcada pelo rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan, pesquisas mostrando vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições e novos tensionamentos na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Nesta sexta-feira, o cenário externo também foi adverso, com a abertura das taxas dos Treasuries e o avanço no preço do petróleo, que tende a impulsionar a inflação global. As negociações entre Washington e Teerã para a reabertura do Estreito de Ormuz permanecem travadas.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 fechou com taxa de 13,765%, ante 13,746% do ajuste da quinta-feira. O DI para janeiro de 2029 subiu para 14,33%, ante 14,25% de quinta-feira. Na ponta mais longa, a taxa do DI para janeiro de 2031 avançou a 14,59%, contra 14,51%.

O gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos, avalia que a semana foi marcada pela saída de recursos estrangeiros do país, com investidores atentos à proximidade das eleições e sem muita confiança em uma austeridade fiscal, o que acabou prejudicando a Bolsa, o câmbio e a curva de juros.

Dados da B3 mostram que foram retirados R$ 13,561 bilhões de fluxo externo em agosto até a sessão de quarta-feira, 12, e a Bolsa acumulou perda de 3,23% na semana.

De forma semelhante, o dólar subiu 2,68%, a R$ 5,2199, refletindo o quadro eleitoral, os riscos fiscais e a notícia do início do processo de reciprocidade do Brasil contra os Estados Unidos. Isso faz com que o mercado não queira ficar vendido na divisa americana, ainda mais na véspera do fim de semana, segundo o operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora. "O mercado vira tomador, dólar sobe e puxa os juros", comentou no período da tarde, quando tanto o câmbio quanto a curva a termo alcançaram um pico de estresse.

A analista Julia Thomson, da Eurasia, considera que a decisão do governo Lula de abrir um processo para aplicar a Lei de Reciprocidade é uma medida de pressão para forçar uma negociação com os Estados Unidos, mas não deve resultar em ações comerciais contra a administração de Donald Trump ainda em 2026, especialmente antes das eleições.

Campos, da Armor, pondera que a questão da reciprocidade parece estar na intenção de puxar o governo americano para a mesa de negociações e não para escalar a situação.

Ainda assim, o especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, Gustavo Danilo, afirma que o movimento do governo Lula traz um viés de cautela que adicionou mais prêmio à curva. Ele acrescenta que o exterior atuou como mais um fator de pressão nesta sexta-feira, com grande volatilidade relacionada ao Oriente Médio e ao petróleo, com o Brent em alta de 1,67% hoje e de 5,95% na semana, chegando a US$ 88,52 por barril.

A campanha eleitoral começa oficialmente no domingo, dando início à reta final do processo eleitoral. Os presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto realizam atos de inauguração da campanha em seus berços eleitorais: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Bernardo do Campo (SP), Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro (RJ), Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás e Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais.

Na segunda-feira, destaque para o vencimento de mais de R$ 240 bilhões em Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) para 2026, o maior desde 2010, o que pode induzir o Tesouro Nacional a aumentar pontualmente a emissão de notas mais curtas na próxima semana, a fim de contribuir com a liquidez do mercado, que se depara com a taxa média da NTN-B de cinco anos na máxima histórica.

Operadores de renda fixa ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) ressaltam que a estratégia do órgão tem sido priorizar vencimentos mais longos, mas ponderam que o ambiente volátil frente ao período eleitoral pode ser um limitador.