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Desconfiança sobre tarifas dos EUA e ambiente internacional travam Ibovespa

Mercado permanece cauteloso após governo brasileiro abrir processo em resposta a tarifas americanas

Estadao Conteudo 14/08/2026
Desconfiança sobre tarifas dos EUA e ambiente internacional travam Ibovespa
ibovespa ações - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

Apesar da agenda vazia de indicadores no Brasil, o Ibovespa abriu sexta-feira, 14, em tom de cautela. O humor mais contido no exterior se soma à ocorrência do Brasil aos Estados Unidos, anunciada ontem à noite. O governo abriu processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os EUA, em resposta à tarifa de 25% a produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais. Ainda ficam no radar de balanços, como Braskem, Raízen, entre outros.

A resposta do Brasil eleva mais a parcimônia recente dos agentes financeiros. Ontem, o Ibovespa caiu pela oitava sessão consecutiva, elevando a perda na semana para 3,14% e o recuo em agosto para 6,12% , em meio a recebimentos fiscais ampliados pela disputa eleitoral. Esse ambiente tem investidores investidores da Bolsa, principalmente estrangeiros. Desta forma, você pode acumular o segundo retrospecto semanal seguido.

“O mercado não está precificando apenas a reciprocidade, mas o risco de uma escalada”, diz Cleiton Souza, sócio-fundador da Private Investimento. Conforme ele, embora a medida funcione como instrumento de negociação, o impacto tende a ser administrável. “O problema para Bolsa e câmbio começa se a negociação der lugar a uma guerra comercial efetiva”, afirma Souza.

Já Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, considera que o anúncio pelo governo brasileiro da abertura da Lei de Reciprocidade é mais um movimento de sinalização diplomática do que de retaliação imediata. "Ainda não há contramedida na mesa, há um instrumento de pressão negocial sendo acionado. O rito passa pela Camex e leva tempo, o que dá espaço para acordo antes de qualquer sobretaxa efetiva", avalia.

De todo modo, o quadro é de cautela aqui, apesar das viés positivas em Nova York, após sinais de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) esta semana.

Investidores seguem saindo da B3. Na sessão da última quarta-feira, houve retirada de capital externo de R$ 1.632 bilhões da B3, aumentando o total de saídas neste mês para R$ 13.561 bilhões . No acumulado do ano, o fluxo de capital externo é positivo em R$ 22.846 bilhões .

"Criamos os nossos próprios problemas. O copo meio cheio é que se você tiver caixa para comprar, vale a pena. O mercado está disfuncional", diz Thiago Salomão, fundador e CEO dos Market Makers.

Conforme Salomão, nesta semana houve claras de que o Brasil pode enfrentar uma crise de crédito antes do que o esperado, após bancos como BTG Pactual e Banco do Brasil informarem aumento da inadimplência no sistema financeiro. "Dados de inadimplência trouxeram dados preocupantes da CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Quando saem resultados ruínas de empresas ligadas em Bolsa, preocupa mais", afirma o CEO do Market Makers.

Para Eduardo Carlier, codiretor de gestão da Azimut Brasil, o mercado segue em “modo de seleção”, com investidores buscando confirmar a trajetória de dados no Brasil e no exterior antes de assumir posições mais direcionadas.

Na leitura do gestor, o impacto mais direto de alta para a Bolsa viria de um ciclo “sustentável” de queda da Selic, mas o cenário ainda depende da consolidação dos indicadores. Carlier afirma que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ajuda ao endereçar a comunicação e “normalizar” parte das expectativas, mas reforça que a conclusão central permanece, a de que a política monetária segue dependente de dados, inclusive lá fora. “O melhor cenário é a trajetória de dados permitir um corte mais extenso de juros”, resume.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,23% , aos 167.100,95 pontos . Foi o pior resultado desde agosto de 2023.

Às 11h17 desta sexta, o Ibovespa cedia 1,11% , na mínima aos 165.250,03 pontos , vindo de abertura na máxima em 167.099,46 pontos , estável. A Petrobras subia entre 0,72% (PN) e 0,71% (ON). Vale cedia 0,7% . As ações dos bancos recuavam até 2% (BB). Só Unidade de Santander subia (1,07%) .

O petróleo cedia marginalmente e a mineração de ferro fechou em alta de 0,42% (Dalian) e de 0,26% (Singapura).