Geral

Cade nega pedido do Google de oitivas com testemunhas em caso envolvendo jornais

Superintendência do Cade refuta solicitação da gigante de tecnologia em investigação sobre direitos autorais.

Estadao Conteudo 13/08/2026
Cade nega pedido do Google de oitivas com testemunhas em caso envolvendo jornais
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) - Foto: reprodução

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) negou, na última terça-feira, 11, o pedido do Google para apresentação de prova testemunhal no âmbito da investigação sobre o uso de conteúdo jornalístico pela plataforma de busca, sem a devida remuneração dos veículos de mídia.

Em nota técnica, o superintendente-geral, Felipe Roquete, entendeu que a empresa deveria ter indicado na peça de defesa a qualificação completa de até três testemunhas, a serem ouvidas na sede do Cade. Contudo, o pedido de oitivas foi prejudicado pela ausência das indicações de testemunhas.

Por outro lado, foi atendido o pedido da empresa para a apresentação de provas documentais, pareceres, análises econômicas e laudos contábeis e periciais.

O Google também alegou cerceamento do direito de defesa. Entretanto, a SG considerou que a mera alegação abstrata de que documentos restritos integraram a instrução não é suficiente para caracterizar cerceamento e ressalvou que não foi demonstrado “efetivo prejuízo para as partes”.

“No presente caso, além de não apontar prejuízo concreto, o Google apresentou defesa extensa e minuciosa, na qual identificou e contestou as fontes de dados, os estudos econômicos, as manifestações dos agentes de mercado e os fundamentos da teoria do dano. Tal circunstância corrobora que o Representado compreendeu integralmente a imputação e pôde exercer, de maneira efetiva, o contraditório e a ampla defesa”, completou.

Histórico

O inquérito administrativo inicial foi instaurado em 2019 e, desde então, ocorreram evoluções tecnológicas que os conselheiros entenderam que precisavam ser incluídas na análise. Neste ano, o Cade decidiu aprofundar a investigação, com a inclusão da inteligência artificial (IA) generativa - focada em criar novos conteúdos em texto, áudio, vídeo e outros formatos.

Inicialmente, a apuração se detinha sobre os snippets - resultados de busca com algumas linhas de texto resumido, seguidos por links das publicações originais. No entanto, em abril, o tribunal determinou à SG a abertura de processo administrativo para aprofundar a investigação em torno da exibição de respostas geradas por IA às consultas dos usuários - os chamados AI Overviews.

Em pedido de arquivamento da investigação, o Google afirmou que seus serviços geram “benefícios significativos para usuários e publishers”.

A empresa também afirmou que as evidências apuradas ao longo de mais de cinco anos de investigação indicam que não houve conduta excludente, dependência econômica, lock-in, exploração ou qualquer forma de dano concorrencial.