Geral
Chance de juro estável nos EUA em setembro limita queda do Ibovespa pelo petróleo
Investidores reagem a balanços e dados econômicos enquanto petróleo recua.
Após sete pregões seguidos de baixa, o Ibovespa tenta recuperação nesta quinta-feira, 13. Depois de cair 0,27%, na mínima em 167.042,40 pontos, vindo de abertura estável em 167.489,21 pontos, virou para o positivo, renovando máxima (168.515,49 pontos; +0,61%), perto do fim da manhã, mas sem convicção. A mudança ecoa principalmente a valorização dos índices das bolsas em Nova York e de grandes bancos na B3, após recentes quedas. Investidores digerem uma série de balanços como CSN e Banco do Brasil.
"Hoje melhora um pouco por uma combinação de fatores", diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, ao fazer referência a divulgações como o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos EUA de julho e a dados do varejo brasileiro de junho. Conforme ele, o crescimento das vendas varejistas traz uma percepção de balanços não tão ruins do segundo trimestre.
Segundo Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, a leitura mais comportada do CPI (inflação ao consumidor), divulgado ontem, e do PPI, informado hoje, nos Estados Unidos, reforça a percepção de que o Federal Reserve (Fed) pode manter os juros no nível atual - entre 3,5% e 3,75% - nas próximas reuniões, reduzindo a probabilidade de aperto já em setembro.
Para Oliveira, esse cenário ajuda a melhorar o ambiente para emergentes e pode dar mais conforto para o Copom seguir no ciclo de cortes da Selic, desde que o quadro doméstico continue permitindo. "Talvez só tenha alta de juros em dezembro nos Estados Unidos", diz.
A despeito dessa percepção, o Índice Bovespa tem dificuldade em manter-se no campo positivo, em meio ao recuo de mais de 3% do petróleo, em meio ao impasse no Oriente Médio, estoques mais elevados da commodity e menor demanda. As ações da Petrobras cedem entre 0,24% (PN) e 0,69% (ON). Em meio ao declínio de 0,21% do minério de ferro em Dalian, os papéis da Vale recuam. Já as ações de grandes bancos buscam recuperação.
"O mercado está cada vez mais preocupado com o fiscal, com o discurso dos candidatos a presidente da República. Está na dúvida se realmente haverá um novo desenho fiscal para o Brasil", afirma o sócio da Blue3, ao referir-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, ao seu opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Também para Perri, da Forum Investimentos, "o que o mercado quer é sinais de recuperação do arcabouço fiscal. Isso seria um Trigger para o Ibovespa, mas não deve sinalizar isso agora, pois não é um tema popular, estamos próximos da eleição", diz.
Divulgadas nesta manhã, as vendas do comércio varejista subiram 0,5% em junho ante maio, acima da mediana, que era de alta de 0,2% encontrada na Pesquisa Projeções Broadcast. Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção, de veículos e de atacado alimentício, as vendas caíram 1% em junho ante maio, também um resultado melhor do que a mediana (-1,4%).
Apesar dos resultados, os dados reforçam apostas de nova queda de 0,25 ponto porcentual na Selic no Comitê de Política Monetária (Copom), para 13,75%, diante do entendimento de que há um processo de desaceleração da atividade, mesmo que gradual.
Nos EUA, o PPI ficou estável em julho ante junho, dentro do esperado. Na comparação anual, o PPI avançou 4,7% em junho.
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,23%, aos 167.491,07 pontos.
Mais lidas
-
1MILITAR
Submarino Humaitá começa primeiro deslocamento internacional apesar das tensões diplomáticas entre Argentina e Brasil
-
2ARQUEOLOGIA
Estátua de 2,4 mil anos é encontrada sob pavimento romano na Turquia
-
3POLÍTICA
Cooperação técnico-militar histórica: Rússia reforça laços com a Marinha do Brasil no Rio
-
4RESPONSABILIDADE FISCAL
18 prefeituras estouram teto da folha; Rio Largo e Palmeira são as maiores cidades da lista
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas