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No mercado de juros, DIs intermediários e longos sobem com risco fiscal-eleitoral

Movimento é influenciado por disputas políticas e dados econômicos

Estadao Conteudo 12/08/2026
No mercado de juros, DIs intermediários e longos sobem com risco fiscal-eleitoral
- Foto: Depositphotos

O esboço da curva de juros brasileira, observado no início da tarde, com a abertura dos vértices intermediários e longos, se manteve até o final do pregão, refletindo o prêmio de risco fiscal-eleitoral. As pesquisas mostram uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto, com vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda assim, o mercado permanece com a expectativa majoritária de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em setembro, após a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de junho indicar fraqueza na atividade econômica.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries curtos e médios seguiram em baixa, após o índice de preços ao consumidor (CPI) atingir níveis dentro do esperado e leilão de T-notes de 10 anos mostrar demanda sólida. No entanto, dados de déficit orçamentário fizeram a taxa do T-bond de 30 anos subir, evidenciando que o problema fiscal é uma preocupação recorrente também entre países desenvolvidos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou em 13,755%, próximo ao ajuste de 13,761% de terça-feira. A taxa para janeiro de 2029 subiu para 14,25%, de 14,197%, e a para janeiro de 2031 avançou a 14,48%, de 14,432% do ajuste anterior.

O economista Carlos Lopes, do BV, observa que o movimento nos DIs foi pequeno em comparação ao dia anterior, quando a percepção do investidor estrangeiro piorou com a eleição e o rebaixamento da recomendação do Brasil para neutra pelo JPMorgan. "Hoje é uma continuação do movimento que observamos desde a semana passada, de alta na ponta mais longa, com o prêmio de risco sendo o principal fator, que é o problema fiscal", avalia.

Para Lopes, o principal evento do dia foi o CPI dos EUA, que avançou 0,1% em julho em relação a junho e subiu 3,4% ao ano, em linha com o esperado. Já a PMS no Brasil "veio mais forte do que o consenso, mas continua indicando fraqueza na atividade econômica, um fator amplamente aguardado pelo Banco Central". Assim, o economista considera que não é surpresa a curva de juros precificar um corte de 19 pontos-base da Selic em setembro, indicando a chance majoritária de uma redução de 0,25 pp.

O volume de serviços prestados no Brasil ficou estável em junho em comparação a maio, na série com ajuste sazonal, superando a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que previa queda de 0,2%.

A analista Lais Costa, da Empiricus, afirma que o mercado de juros teve uma reação mais técnica nesta quarta-feira. "À medida que o pregão perde liquidez e se considera que ainda há 40% de chance de aumento nos Fed funds em setembro, isso impacta no diferencial de juros e para a moeda brasileira é negativo, levando o mercado de juros a exigir mais prêmio", avalia. O dólar subiu 0,37% em relação ao real, cotado a R$ 5,1799.

Costa observa ainda que o receio fiscal começou a ser precificado nos Estados Unidos - evidenciado pelo rendimento do T-bond de 30 anos, que subiu para 5,248% após o país tomar mais empréstimos nos 10 meses do ano fiscal de 2026 do que em todo o ano de 2025 -, de maneira semelhante ao que ocorre no Brasil.

No vértice mais curto dos Treasuries, o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avalia que a ausência de surpresas no CPI foi bem recebida, pois reduz o receio de uma leitura inflacionária mais pressionada após o conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre petróleo, energia e outros preços ao longo da cadeia. Nesta quarta-feira, o Brent para outubro fechou em leve alta de 0,08%, a US$ 88,98 por barril.

Na quinta-feira, destaque para a pesquisa mensal do comércio brasileiro de junho, às 9 horas, e para o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA de julho, às 9h30.