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Acordo sobre o Estreito de Ormuz entre Irã e Omã está próximo, diz agência iraniana

Negociações avançam, mas reabertura total permanece incerta.

Estadao Conteudo 08/08/2026
Acordo sobre o Estreito de Ormuz entre Irã e Omã está próximo, diz agência iraniana
Estreito de Ormuz - Foto: © AP Photo / Rafiq Maqbool

As negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz estão progredindo, segundo um oficial dos Estados Unidos. Em entrevista à Reuters na sexta-feira, 7, ele afirmou que Washington espera um acordo em breve.

O avanço, porém, não implica necessariamente a reabertura completa da passagem marítima. Segundo a agência iraniana Fars, Teerã rejeita a interpretação do governo de Donald Trump, que considera a rota temporária como uma normalização do tráfego no estreito. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a reabertura está condicionada a outras necessidades.

Ainda conforme a fonte ouvida pela Reuters, os Estados Unidos devem suspender o bloqueio aos portos iranianos caso um acordo seja alcançado para restabelecer a navegação comercial sem restrições. No entanto, o Irã nega que a rota temporária em negociação represente a reabertura plena do estreito.

"Como sempre, as ações dos EUA estarão baseadas no desempenho e vinculadas ao cumprimento dos compromissos por parte do Irã", informou o oficial.

O estreito está localizado entre as águas territoriais de Teerã e Mascate, com o Irã ao norte da passagem marítima e a Península de Musandam, pertencente a Omã, ao sul.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, em fevereiro, o estreito tem enfrentado restrições à navegação após um bloqueio iraniano imposto em resposta a ataques americanos.

Irã impõe condições para reabertura do Estreito de Ormuz

Segundo a emissora árabe Al Jazeera, o Irã busca exercer controle sobre o Estreito de Ormuz, afirmando que a situação na região "não voltará a ser como antes da guerra".

A reportagem publicada neste sábado, 8, relatou declarações de um porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e do ministro das Relações Exteriores do país. Eles afirmaram que a reabertura do estreito é condicional e não automática, significando que um acordo entre Omã e Irã não necessariamente permitirá a reabertura da passagem.

Outro ponto discutido foi a rejeição do Sistema de Separação de Tráfego, a rota pela qual navios e embarcações podem transitar por este gargalo marítimo de importância estratégica. Os iranianos afirmam que haverá uma nova rota e que as coordenadas geográficas foram acordadas entre Omã e o Irã.

O Irã também destaca que o controle deve ser conduzido de forma bilateral, rejeitando veementemente qualquer intervenção de terceiros. Segundo Al Jazeera, o Irã busca consolidar seu domínio sobre o estreito, não apenas como uma via marítima comercial, mas também como um ponto de pressão estratégica.

Trump diz que acordo 'poderia acontecer'

Questionado na terça-feira, 4, sobre a possibilidade de um anúncio de acordo sobre o estreito, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que isso "poderia acontecer".

"Pode acontecer. Amanhã ou depois de amanhã", disse Trump. "Muitos progressos foram feitos".

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reconheceu, na quarta-feira, que pode parecer que Washington não está avançando nas negociações com o Irã. Ele classificou o esforço para encerrar a guerra como "complicado" e afirmou que o processo "levará algum tempo".

Em entrevista à emissora Fox News, Vance comentou que os iranianos são "pessoas extraordinariamente difíceis" e que os esforços para resolver o conflito frequentemente requerem recuos antes de avançar.