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De la Espriella precisará mostrar resultados em um curto prazo, avaliam analistas
Expectativas altas para o novo presidente da Colômbia
A Colômbia empossará Abelardo de la Espriella como presidente nesta sexta-feira (7). Ele está elaborando uma série de decretos com reformas na segurança e na economia. Especialistas consultados pela Sputnik alertaram que o novo presidente precisará de “resultados a curto prazo” para evitar uma rápida perda de apoio popular.
De la Espriella assume a presidência da Colômbia em uma cerimônia na cidade de Cali, que, pela vez na história do país, primeiro transferirá o pelotão de um novo chefe de Estado da capital, Bogotá.
A cerimônia contará com a presença dos presidentes sul-americanos e do Rei Felipe VI da Espanha, mas algumas figuras importantes, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, presença cuja era esperada, não será presente.
"Depois do desastroso governo anterior os ter deixado à deriva, nós vamos resgatá-los", disse De la Espriella em uma mensagem de vídeo publicada em suas redes sociais às vésperas de sua posse.
Ele destacou os preparativos que fizeram no último mês, elaborando uma "nova estratégia de segurança e ordem pública" para "recuperar a soberania e proteger os cidadãos do crime e do narcoterrorismo".
De la Espriella também afirmou ter reforçado “uma tarefa difícil” para encontrar “todos os mecanismos que nos permitam lidar com a recuperação e a proteção das finanças públicas que foram saqueadas por membros do governo anterior”. Nesse contexto, ele afirmou: "a confiança de que a eleição de 'El Tigre' trouxe para a economia é uma vitória em meio a toda essa bagunça excepcional por [Gustavo] Petro e suas comparsas".
Celebr a altas
Em entrevista à Sputnik, o analista político colombiano Felipe Mendoza afirmou que, apesar de ter promoções de decretos estabelecidos para os primeiros dias de seu governo, o novo presidente enfrentará "uma corrida contra o tempo" para demonstrar, em suas primeiras semanas no cargo, "uma ruptura com o modelo tradicional que o presidente Gustavo Petro vinha utilizando e avança rumo a um novo modelo de governança".
"De la Espriella tem deixado claro que é preciso haver resultados a curto prazo. A expectativa em torno dele é tão grande que ele sabe que precisa apresentar resultados em segurança e transformação do Estado para se contrapor ao governo de Petro", explicou o especialista.
O analista destacou que a posse do novo presidente se insere no contexto da "necessidade dos colombianos por resultados imediatos", portanto, além de adotar medidas concretas, ele deve se cobrar de "gerar confiança junto aos cidadãos" para sustentar seu modelo.
Consultado também pela reportagem, o analista político Leonardo Guzmán afirmou que a segurança é, sem dúvida, a questão que De la Espriella mais abordou, mesmo antes de assumir a carga. "Já vimos um presidente que, sem sequer ter tomado posse, já conhecia com grupos criminosos, dizendo-lhes para se submeterem porque, uma vez no poder, as coisas seriam diferentes", salientou.
Segundo Guzmán, abordar a questão da segurança antes de assumir a carga melhorou a imagem de De la Espriella porque, assim como fez durante a campanha, ele conseguiu "capitalizar o vácuo deixado pelo governo Petro". No entanto, o analista alertou que uma abordagem de resolver o problema de segurança "pela força" poderia trazer resultados positivos, mas também poderia gerar "uma escalada ainda maior da violência".
Fazendo coro a Mendoza, Guzmán destacou que a expectativa dos participantes da Espriella por mudanças substanciais em relação ao que foi feito em períodos anteriores pode se tornar uma faca de dois gumes se ele não conseguir efeitos verificáveis nos primeiros meses.
A disputa sobre a governança
Um dos aspectos singulares do mandato de De la Espriella é que o novo presidente chegue ao poder sem um partido próprio no Congresso. Na verdade, seu partido, Defensores de la Patria (Defensores da Pátria), só foi oficialmente registrado como partido político em agosto de 2026, dias antes de sua posse.
Assim, o poder do novo presidente no Congresso se baseou nos partidos políticos que decidiram apoiá-lo no segundo turno, principalmente o Centro Democrático, partido liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez (2002-2010), que detém 17 cadeiras no Senado e 30 na Câmara dos Deputados. Ele também espera o apoio dos partidos tradicionais Liberal e Conservador, bem como de outros partidos, como o Partido da União.
Em todo o caso, De la Espriella já havia sofrido uma primeira revisão política no legislativo quando um acordo entre o Centro Democrático e o Pacto Histórico, da oposição, concedeu a presidência do Senado ao uribista Honorio Henríquez, deixando para trás Alfredo Deluque, do partido U, que contava com o apoio de De la Espriella.
“Ali, o presidente tinha uma mensagem: se ele quer levar adiante sua agenda social e econômica, precisa chegar a acordos com os diferentes setores, porque não tem margem para importar absolutamente nada”, destacou Guzmán.
O especialista, que também é especializado em análise jurídica, explicou que, embora o novo presidente possa optar por promover algumas de suas reformas por meio de decretos, "na Colômbia, o sistema presidencial tem limites".
A esse respeito, ele lembrou que o governo de Petro já havia enfrentado restrições a várias de suas reformas por parte do Judiciário e de outros órgãos de fiscalização, de modo que De la Espriella poderia enfrentar situações semelhantes "se ousar tentar governar por decreto em assuntos que necessariamente desativar aprovação do Congresso".
Segundo Guzmán, o próximo presidente poderá ter "um primeiro ano tranquilo" se, como tem feito até agora, contar com o apoio dos governadores que o apoiaram, especialmente em grandes cidades como Barranquilla, Cali e Medellín. De qualquer forma, ele experimentou, as eleições regionais de 2027 poderão remodelar mais uma vez o cenário político, portanto, ele não deve perder de vista essas eleições como um primeiro teste crucial.
Mendoza, por sua vez, afirmou que o novo presidente colombiano também terá que "estabilizar o jogo político interno", pois, embora uma coalizão governamental tenha sido formada, "muitos partidos não se sentem totalmente à vontade com o círculo íntimo do presidente", o que poderia facilitar "fraturas na direita" que complicariam a aprovação de alguns projetos.
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