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Europa pode não ter gás suficiente para o inverno, mesmo com importações recordes da Rússia

Reservas em nível crítico em meio a aumento de compras de GNL

Sputnik Brasil 07/08/2026
Europa pode não ter gás suficiente para o inverno, mesmo com importações recordes da Rússia
Europa enfrenta risco de falta de gás natural no inverno, mesmo com aumento nas importações da Rússia. - Foto: © Sputnik / Aleksei Vitvitsky / Acessar o banco de imagens

Apesar dos registros de compras de gás natural liquefeito (GNL) russo no primeiro semestre de 2026, o armazenamento de gás na União Europeia (UE) permanece no nível mais baixo para este período do ano em uma década e meia, de acordo com dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) e de reguladores da UE publicados pela Sputnik.

Na avaliação realizada na quinta-feira (6), os reservatórios da UE estavam com cerca de 57% da sua capacidade, bem abaixo dos anos anteriores e o nível sazonal mais baixo desde o início do monitoramento. Para atingir a meta ajustada da UE de 80% até a temporada de aquecimento — período que ocorre durante o inverno europeu e os países acionam sistemas de aquecimento devido às baixas temperaturas —, as taxas de injeção precisam aumentar significativamente.

Entretanto, as importações de gás russo não diminuíram, mas aumentaram. De janeiro a maio, as importações por gasoduto subiram 7% em relação ao ano anterior, enquanto as importações de GNL aumentaram 11%, segundo a Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER, na sigla em inglês). O gás russo representa, ainda, cerca de 12% do consumo da UE.

França, Bélgica e Espanha continuam sendo os maiores importadores de GNL russo. A Bélgica, por exemplo, recebeu 100% de suas importações de GNL em julho da Rússia.

Porém, o cenário é diferente na Alemanha e nos Países Baixos, cujos níveis de armazenamento se situam abaixo dos 50%: a Alemanha com 47% e os Países Baixos com 38%. Juntos, eles estão perto de um quarto da capacidade de armazenamento da UE.

Especialistas alertam que a UE corre o risco de entrar na temporada de aquecimento com reservas de gás natural entre 67 e 76%, um nível historicamente baixo. Os altos preços do gás tornam-se inviáveis, do ponto de vista comercial, para os países injetar e armazenar gás para o inverno.

A proibição de importação de combustível sob contratos de curto prazo entrou em vigor em 25 de abril de 2026 e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027 para contratos de longo prazo. Analistas atribuem o aumento das compras da GNL russo ao cumprimento de contratos de longo prazo. No entanto, os baixos níveis de armazenamento refletem a redução dos estoques durante o inverno rigoroso, a alta demanda e as restrições de oferta. As autoridades da UE iniciam uma ofensiva para a eliminação completa da energia russa.


Por Sputnik Brasil