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STF suspende julgamento de lei que proíbe jogos de azar

Decisão foi tomada após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Agência Brasil 06/08/2026
STF suspende julgamento de lei que proíbe jogos de azar
O STF suspende julgamento sobre a lei que proíbe jogos de azar no Brasil.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (6) suspender o julgamento sobre a validade da Lei das Contravenções Penais. Uma norma está em vigor no país desde 1941, quando foi assinada pelo então presidente da República, Getúlio Vargas.

A análise do caso foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O ministro entendeu que o julgamento também deve envolver as apostas online , as chamadas bets.

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Para o ministro, as ações que questionam as políticas de apostas devem ser julgadas em conjunto. Os dados para a retomada do julgamento não foram definidos.

“Não me parece que possamos dar um tratamento rigoroso ao jogo do bicho e ignorar este dragão que são os jogos perversos das apostas”, disse.

Julgamento

A Corte começou a analisar se a Lei das Contravenções Penais foi recebida pela Constituição de 1988.

O principal ponto em discussão está no Artigo 50 da lei. O dispositivo definindo como contravenção penal a exploração de jogos de azar em locais públicos, como no caso de caça-níqueis, bingo e jogo do bicho. A norma também prevê multa de R$ 2 mil e R$ 200 mil para quem participa do jogo na condição de apostador.

O único voto do julgamento foi proferido pelo relator, ministro Luiz Fux. Ele apontou que a atividade econômica de jogos de azar no país é proibida, exceto nos casos de loterias.

Para o ministro, a atividade pode ser impedida pelo Estado e não está inserida no princípio constitucional da livre iniciativa econômica.

“A loteria não se vale de mecanismos colaterais a obtenção obtida diante da exploração da violência do comportamento”, comentou.

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Apostas

O relator também tratou do caso das apostas online . As apostas são legalizadas no país, desde que operem devidamente autorizadas pelo governo federal, e não são alvo do voto do ministro.

No entanto, Fux aprovou a análise do caso para citar os impactos do vício em jogos de azar e citou casos de superendividamento, envolvimento de crianças e os efeitos na diminuição das vendas do comércio.

"Hoje, se aposta, mas não compre comida para a casa", disse.

Entenda

O Supremo iniciou a análise do caso após recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra decisão da Justiça estadual. Uma instância inferior a que a lei não foi recebida pela Constituição de 1988.

O caso concreto trata de um homem condenado por três máquinas de caça-níqueis em seu estabelecimento comercial.