Geral

Polícia Federal indicia 16 pessoas pela queda de avião da Voepass

Indiciados incluem presidente da companhia e diretores envolvidos na operação.

Agência Brasil 06/08/2026
Polícia Federal indicia 16 pessoas pela queda de avião da Voepass
Indiciamento de 16 pessoas pela queda do avião da Voepass em Vinhedo, incluindo presidente da companhia.

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quinta-feira (6) 16 pessoas por envolvimento na queda da aeronave da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo (SP) , em agosto de 2024, após concluir a investigação. Todos os indicados estão ligados à companhia, incluindo o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho.

A queda do avião turboélice, ATR 72-500, deixou 62 mortos, sem sobreviventes.

Notícias relacionadas:

De acordo com a PF, a Justiça Federal decidiu que todos os indiciados não poderão deixar o país, ou terão de voltar ao Brasil caso no exterior, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa o inquérito da polícia e decide quais pessoas serão denunciadas.

Segundo a PF, 15 foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo (Artigo 261 do Código Penal) e um (o comandante do voo da madrugada, que pilotou o mesmo avião em que ocorreu a queda) foi indiciado por falsidade ideológica.

Foram indiciados por crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo o diretor-presidente da Voepass José Luiz Felício Filho; o comandante do voo imediatamente anterior ao acidente, que teria entregue a aeronave sem reportar falhas; o mecânico que teria sido omitido de realizar manutenção; o chefe do Centro de Controle de Manutenção (MCC); o inspetor técnico responsável por responder pela manutenção perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); o diretor de manutenção da companhia; o gerente do Centro de Controle Operacional (CCO); o diretor do CCO; o diretor de operações; o chefe dos pilotos; e o diretor de segurança operacional.

As penas para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo são de 4 a 12 anos de prisão, e podem ser dobradas (de 8 a 24 anos) em decorrência de resultado em morte.

A Polícia Federal informou ainda que solicitou à Justiça Federal que autorize o compartilhamento de todas as informações da investigação com a Anac para que uma agência investigue administrativamente se ocorreram falhas de seus servidores no processo de fiscalização da companhia aérea. Com o mesmo objetivo, a PF solicita que a investigação seja também compartilhada com a Procuradoria da República no Distrito Federal, local da sede da Anac.

“Nossa equipe analisou amostras de processos de fiscalização da Anac e se pôde perceber que havia ali [na Voepass] uma cultura realmente de omissão e que não era uma cultura de quem estava ali na ponta no dia-a-dia do mecânico da pista, não, era uma cultura de uma omissão inventada na empresa”, destacou o delegado chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro.

Segundo a PF, a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo na situação que foi submetida, sob formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos imprescindíveis para essas condições, como o sistema de descongelamento e os limpadores de parabrisas do avião, estavam inoperantes. Mesmo assim, a empresa decidiu autorizar a descolagem do avião.

Durante o voo, os pilotos receberam, gradativamente, o sistema de segurança do avião, avisos de que as condições de voo estavam decaindo. No entanto, mesmo diante dos avisos sonoros e da lâmpada de “master warning”, a PF afirma que os pilotos não tomaram nenhuma atitude.

Segundo a polícia, o avião apresentou problemas semelhantes em voos anteriores. No entanto, os pilotos, orientados pela empresa, não reportaram as falhas no relatório pós voo para que a aeronave não ficasse impedida de continuar a voar .

“A investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos e da direção de operações [da companhia], orientação para não reportar as falhas, porque as falhas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente”, destacou o delegado.

Confira mais informações sobre o indiciamento no Repórter Brasil , da TV Brasil.

Famílias

Familiares das vítimas que foram presentes na Polícia Federal de São Paulo avaliaram como criminoso o modo como a Voepass operava.

"Aquelas ações eram criminosas, eles eram profissionais, eles sabiam o que estavam fazendo. Eram profissionais preparados, sabotando uma fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar, então eles sabiam, todos sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair. Correram o risco, não se importavam", disse Fátima Albuquerque, da Associação de Familiares das Vítimas.

Segundo os advogados da associação, o grupo deverá aderir a uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.