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MDIC diz que queda nas exportações aos EUA em julho não é ligada a novo tarifaço

Exportações caem 5% no mês e 12% no acumulado do ano, segundo Herlon Brandão.

Estadao Conteudo 06/08/2026
MDIC diz que queda nas exportações aos EUA em julho não é ligada a novo tarifaço
- Foto: Reprodução

Questionado sobre a queda das exportações de produtos brasileiros aos Estados Unidos no mês passado, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão, afirmou nesta quinta-feira, 6, que ela não está relacionada diretamente ao novo tarifaço.

"A medida dos Estados Unidos passou a vigorar plenamente apenas no dia 29 de julho", lembrou o técnico em coletiva de imprensa para comentar os dados da balança comercial brasileira de julho, que apresentou superávit de US$ 7,067 bilhões, no âmbito geral. "Então, não é possível atribuir o movimento de julho todo em relação à medida."

Segundo Brandão, como não houve crescimento das vendas no sétimo mês do ano, não é possível avaliar se houve uma antecipação das vendas. A queda em julho se deu nos seguintes produtos: aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (-62,2%), ferro gusa (-31,4%), café não torrado (-27,6%) e sucos de frutas ou vegetais (-22,5%).

As exportações de produtos brasileiros para os EUA caíram 5,0% em julho de 2026 e 12,2% nos sete meses do ano. No ano, a queda foi motivada por reduções nas vendas de óleos brutos de petróleo (-25,5%), café não torrado (-34,1%), sucos de frutas e vegetais (-44,2%) e produtos semiacabados de ferro e aço (-11%).

Brandão atribuiu a queda das vendas aos EUA no acumulado do ano ao contexto econômico e à demanda. Ele exemplificou que não houve majoração de alíquotas para petróleo. "Cada produto tem uma dinâmica e eu diria que é uma questão mais de demanda e de mercado que influenciou esse resultado do primeiro semestre incluindo julho", sustentou.

Sobre a recente escalada da crise diplomática do Brasil com os EUA e com a Argentina, o técnico disse que a política econômica só vai afetar os fluxos comerciais na medida em que se traduzam em medidas restritivas, como tarifas, ou, em direção contrária, de incentivo ao comércio. "Na medida em que se tem alguma medida concreta isso pode influenciar no fluxo. Então, essa questão de relacionamento político não creio que é possível mensurar isso nesse movimento", avaliou.

Mercosul-UE

Herlon Brandão afirmou também que há três meses de dados após o início da vigência provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), mas é preciso olhá-los com cuidado. "O benefício tarifário é dado para o importador. Então, o exportador aqui envia os seus produtos e o importador lá na União Europeia pleiteia a redução com base no acordo e na origem. Então, isso é mensurado no destino, não na origem", disse.

E completou: "Não temos como avaliar o quanto isso influencia, mas é esperado que tenha tido um efeito do acordo nesse período."

Petróleo

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior afirmou ainda que a alta da exportação de petróleo bruto em julho, de 23,8% em valor, foi motivada exclusivamente pela alta de 38,3% no preço.

No acumulado do ano, o técnico destacou que soja e petróleo bruto foram os produtos mais exportados - com crescimento de 15,3% e 26,9%, respectivamente, o equivalente a US$ 35,013 bilhões e US$ 32,597 bilhões.

Brandão disse ainda que a trajetória da exportação mensal tem se mantido "consistentemente acima dos meses de 2025".