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Irã e Omã avançam em acordo para reabrir o Estreito de Ormuz

Negociações podem contribuir para encerrar guerra na região

Estadao Conteudo 05/08/2026
Irã e Omã avançam em acordo para reabrir o Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz - Foto: AP/Asghar Besharati

O Irã e Omã avançaram para um acordo de reabertura do Estreito de Ormuz, conforme informaram funcionários regionais nesta terça-feira, 4, o que pode ajudar a acabar com a guerra no Oriente Médio.

Segundo o acordo inicial, os barcos entrariam no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e sairiam por uma rota controlada por Omã, com a cobrança de pedágio pela prestação de segurança e pela preservação do ambiente marítimo, disseram duas autoridades regionais à Associated Press.

As autoridades enfatizaram que as negociações estão em andamento e o acordo final pode assumir uma forma diferente. Eles acrescentaram que qualquer pacto estará condicionado ao levantamento do bloqueio americano aos portos iranianos. As declarações foram feitas sob condição de anonimato, tendo em vista a delicadeza das negociações realizadas a portas fechadas.

Um acordo que formalizasse o controle do Irã sobre o estreito representaria uma vitória estratégica importante para Teerã. Por essa razão, os Estados Unidos poderiam frustrá-lo ao se recusarem a levantar o bloqueio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta pressão crescente para encerrar uma guerra impopular que elevou os preços da gasolina antes das eleições de meio de mandato e reduziu os estoques americanos de algumas munições. Nos últimos dias, ele oscilou entre ameaçar ataques em massa e expressar apoio aos esforços diplomáticos.

Trump afirmou que um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz poderá ser fechado já nesta quarta-feira, 5. Apesar do otimismo, o republicano voltou a elevar o tom contra Teerã, afirmando que o país será "atingido com muita força" caso as negociações fracassem.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano negou que esteja negociando com Washington, enquanto Trump insiste que as conversas seguem em andamento.

O Estreito de Ormuz, via marítima estratégica no centro das tensões no Oriente Médio, tem sido um ponto de conflito nas negociações e é o estopim de novas ofensivas de ambos os lados após o cessar-fogo de abril. Era uma via aberta antes dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro.

Funcionários dos EUA confirmam avanços

Ao falar com jornalistas, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, comentou que houve avanços nessas conversas, mas ainda não há nada definitivo. "Esperamos que isso aconteça muito em breve."

Rubio já havia descartado qualquer acordo que concedesse ao Irã o controle do estreito, afirmando no mês passado que isso criaria um "precedente muito perigoso" em outras partes do mundo.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, comentou à CNBC que "existe a possibilidade de termos um acordo nesta quarta ou quinta-feira, 6, para abrir o estreito e avançar em direção a uma posição mais normalizada neste conflito".

Questionado sobre a cobrança de pedágio para o trânsito através do estreito, Bessent respondeu: "Acredito que haveria liberdade de movimento e, embora a situação tenha estado delicada por lá nos últimos dias, vimos muitos navios saindo, inclusive agora."

O The New York Times foi o primeiro a noticiar sobre o possível acordo entre o Irã e Omã.

'Última oportunidade'

Um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz antes da guerra. Os ataques iranianos a navios paralisaram em grande medida esse fluxo, provocando aumento nos preços de combustíveis, fertilizantes e outros produtos, além de abalar economias muito além do Oriente Médio.

Trump declarou na segunda-feira, 3, que os Estados Unidos estavam em negociações com o Irã e apontou que se tratava da "última oportunidade" para Teerã chegar a um acordo e evitar novos bombardeios.

"A primeira fase é a abertura dos estreitos. A segunda fase será a desnuclearização", afirmou Trump. "E isso levará algum tempo."

O Irã negou estar negociando com os Estados Unidos, sustentando que as conversas ocorrem apenas com Omã. Ambos os lados haviam chegado a um acordo provisório em junho para reabrir o estreito e iniciar um período de 60 dias de negociações visando encerrar a guerra e resolver a disputa sobre o programa nuclear iraniano.

Esse acordo fracassou devido à escalada das hostilidades concentradas no estreito, cujo prazo expira em cerca de duas semanas.

Aproximação entre ambas as partes

O Catar, mediador nas negociações, afirmou que os contatos diplomáticos continuam em andamento, mas que não estão previstas conversas diretas entre o Irã e os Estados Unidos.

Os objetivos diplomáticos de Washington incluem a reabertura de Ormuz e a desnuclearização do Irã, algo que Trump admitiu que pode "levar um pouco de tempo".

Mais de cinco meses após o início de uma guerra que custou bilhões de dólares a Washington, o Irã continua capaz de lançar mísseis e drones contra alvos dos Estados Unidos e de seus aliados na região, assim como contra navios comerciais.

Na madrugada de terça-feira, um cargueiro não identificado foi atingido por um projétil desconhecido no Estreito de Ormuz, em frente à costa de Omã. Um membro da tripulação está desaparecido, segundo a empresa de segurança britânica Vanguard Tech.

O Irã mantém um bloqueio em Ormuz e exige que os navios coordenem as travessias com suas autoridades.

Ataque no Mar Vermelho

As perturbações no trânsito em Ormuz aumentaram a importância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irã, declararam em 20 de julho um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram infraestruturas petrolíferas do reino.

O porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, permitiu a Riade, aliada de Washington, manter seus envios aos mercados globais, contornando completamente Ormuz.

Desde que os houthis anunciaram seu bloqueio, reivindicaram ataques a vários navios que, segundo eles, o violam.

Na terça-feira, o navio indiano MSV Faize Noore Oliya afundou no Mar Vermelho, em frente ao Iémen, após ter sido atacado, informou à AFP um funcionário iemenita. Autoridades indianas relataram que os 14 membros da tripulação foram resgatados, enquanto o governo do Iémen, reconhecido pela comunidade internacional, atribuiu o ataque aos houthis.

Além disso, um aeroporto no sudoeste da Arábia Saudita, próximo à fronteira com o Iémen, suspendeu suas operações depois que os rebeldes houthis afirmaram tê-lo atacado. (Com agências internacionais).