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CPTM diz que greve afeta quase 1 milhão de passageiros com pauta 'que não é trabalhista'

Greve de ferroviários é motivada por questões políticas, afirma presidente da CPTM.

Estadao Conteudo 05/08/2026
CPTM diz que greve afeta quase 1 milhão de passageiros com pauta 'que não é trabalhista'
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O presidente da CPTM, Michael Cerqueira , afirmou nesta quarta-feira, 5, que a greve dos trilhos afeta um milhão de pessoas e é motivada por questões políticas, em vez de trabalhistas. A categoria paralisou, pelo segundo dia consecutivo, a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O sindicato, por sua vez, nega a acusação e defende que a manutenção de empregos após as concessões.

"Infelizmente, eles não entendem ou não acatam o que está sendo colocado (...) estão politizando a pauta; não se discutem uma questão trabalhista, mas sim reestatização, o que não deveria ser tratado como pauta trabalhista, prejudicando a população. Não podemos prejudicar a população por uma questão que não tem relação com as reivindicações trabalhistas, em um momento eleitoral e político", afirmou.

Os funcionários pedem a reestatização das três linhas, que atualmente estão sob a administração da iniciativa privada, além de garantias de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramos serem reforçados pela instrução TriviaTrens .

Segundo os grevistas, 2.300 pessoas correm o risco de perder o emprego se não houver a reabsorção dos colaboradores quando as atividades voltarem a ser controladas pelo TriviaTrens.

Na ótica do presidente da CPTM, não é necessário formalizar o compromisso de garantir os empregos, já que não há previsão de demissões. “Nós estamos aqui dizendo que preciso escrever que os empregos estão garantidos, mas aonde foi dito que as pessoas serão demitidas? O que ocorreu foi um realocamento desses colaboradores, e precisamos de tempo para isso. Não se consegue fazer isso de uma hora para outra; se faz necessária negociação, e os colaboradores precisam aceitar serem realocados. Não é intimidador, não é usando a população como massa de manobra que se obterá uma decisão diferente do governo do Estado”, completou.

Além disso, Cerqueira informou que o sindicato continua a descumprir a determinação judicial e a operação com efeito abaixo do mínimo necessário. “O contingente continua abaixo, e o desrespeito à decisão do TRT permanece... a questão da imposição da multa está mantida pelo Tribunal”, destacou.

Representantes da categoria e do governo deverão se reunir por volta das 12h em uma audiência de conciliação. “Esperamos que o sindicato tenha o bom senso de aceitar; podemos manter qualquer conversa e negociação, como já fazemos há mais de um ano, mas a população não pode ser prejudicada”.

Projeto de Lei

Os funcionários da empresa defendem o Projeto de Lei 730/2025 , apresentado pelo deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que permite a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, uma vez que o serviço passe a ser realizado por empresa privada.

Desde o último dia 24, as três linhas estão novamente sob responsabilidade da CPTM, por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia permanecerá à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas operacionais que ocorreram na mesma semana em que a TriviaTrens contratou o serviço. Um dos episódios, datado de 23 de julho, registrou um foco de incêndio em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, causando transtornos tanto para os passageiros quanto para o transporte público da capital.