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IA será aliada na busca por vida extraterrestre, diz cientista Jill Tarter
Inteligência artificial e a procura por sinais alienígenas
O Search for Extraterrestrial Intelligence Institute (Instituto SETI) é o principal nome na busca por vida extraterrestre e a cientista Jill Tarter tem uma história inseparável à dele. Jill é fundadora e primeira funcionária do Instituto SETI, em 1984, e dedica sua vida à procura por vida alienígena há mais de 50 anos. Seus esforços nunca resultaram no encontro de ETs, mas ela vê agora que a inteligência artificial (IA) será uma importante aliada na busca por vida fora da Terra.
"Nossa matriz de telescópios é composta por pratos de radar de 6 m para fazer isso 24 horas por dia. Nós o projetamos para que tenha quatro caminhos de frequência intermediária, ou seja, para poder realizar quatro experimentos científicos ao mesmo tempo, sempre que estiverem no mesmo local aproximado no céu. Já estamos expandindo essa 'equipe' agora: estamos substituindo pelo primeiro telescópio agêntico, de forma que o apontamento e a coleta de dados serão decididos por uma máquina e auxiliados pelas informações mais recentes, de acordo com o nosso entendimento do que a ciência está fazendo", diz a cientista de 82 anos nesta terça-feira, 4, durante a sua participação no Rio Innovation Week.
Ela enfatiza que a Inteligência Artificial Geral (AGI) será uma parceira fundamental no futuro próximo para processar o enorme volume de dados do céu. Diferentemente das visões pessimistas sobre a IA, ela acredita que as máquinas não nos tornarão irrelevantes. "Eu acho que as máquinas vão entender que são os humanos que tornam o mundo interessante", diz.
Engenheira física com mestrado e doutorado em astronomia, Jill foi a principal inspiração para a personagem Ellie Arroway, interpretada por Jodie Foster no filme "Contato" (1997), baseado no livro do astrônomo Carl Sagan, conhecido pelo trabalho de divulgação científica.
Sobre a dificuldade de encontrar vida fora da Terra, Jill diz que a questão sobre estarmos ou não sozinhos no universo permanece atual e tem implicações filosóficas, como ter dificuldade de encontrar vida extraterrestre por não saber como ela se parece ou simplesmente estar procurando no lugar errado. Jill compara a dificuldade de buscar sinais espaciais com o esforço necessário para aprender a linguagem de outras espécies na Terra, como golfinhos, primatas e pássaros.
Ela explica que existe uma limitação tecnológica para investigar vestígios ou sinais de vida fora da Terra, como a capacidade dos telescópios frente ao incontável número de estrelas que precisam ser analisadas.
"Se você quiser sondar uma fração maior de 10 milhões ou de 100 milhões de estrelas na Via Láctea, então, na verdade, você teria que depender não apenas de fazer o seu próprio receptor e o seu telescópio maiores, mas também do fato de que a tecnologia avançada pode criar transmissores muito mais fortes do que os que já tivemos neste planeta", diz.
Ela diferencia a busca científica dos relatos de OVNIs (UFOs), enfatizando a necessidade de ceticismo e dedicação para entender fenômenos estatísticos e físicos que podem explicar tais avistamentos de forma compreensível.
Dificuldades por ser mulher
Jill contou sobre as dificuldades de ser mulher na engenharia nos anos 60, como a perda de sua bolsa de estudos após se casar e as regras restritivas para estudantes do sexo feminino.
Ela celebra o progresso, notando que hoje as mulheres estão mais presentes em cursos universitários de engenharia.
"Em 1965, menos de 23% dos alunos da Universidade de Cornell eram mulheres. Na faculdade de engenharia era menos de 1%, representado por mim. Agora não, mais de 50% dos alunos de Cornell são mulheres e esse é o mesmo porcentual na faculdade de engenharia", afirma.
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