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Planalto avalia como 'muito grave' ataques de Milei, enquanto pede moderação de membros do governo
Comportamento do presidente argentino gera reações no Brasil
O governo federal considera os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como muito graves, embora tenha solicitado moderação de membros da administração.
Conforme publicado pelo Estadão, o Itamaraty classifica o comportamento de Milei, que esteve no Brasil na última semana para participar da convenção do PL em São Paulo, como "muito grave". O evento oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
No último sábado (25), Milei, em seu discurso, manifestou apoio à candidatura de Flávio e o descreveu como a figura capaz de enfrentar o que chamou de "risco Lula" para a economia brasileira. Ele também defendeu um combate rigoroso à criminalidade e criticou o Foro de São Paulo, criado por Lula e Fidel Castro em 1990.
Referindo-se a Moraes, o presidente argentino se referiu ao ministro do STF como "lixo careca", ao comentar a recusa em visitar Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar em Brasília (DF). O ministro vetou o encontro solicitado pelo líder argentino.
"O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso."
Após as declarações de Milei, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a economia brasileira está em uma situação mais sólida do que a argentina, chamando o líder argentino de "palhaço".
Por sua vez, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, utilizou as redes sociais para caracterizar Milei como "uma caricatura patética, que envergonha o cargo que ocupa", e como um "puxa-saco" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Itamaraty convocou para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, em resposta às declarações do presidente argentino. A decisão foi tomada pelo chanceler Mauro Vieira enquanto ele retornava de uma viagem à Ásia.
Além de Bitelli, Vieira também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as falas de Milei.
"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", afirmou o Itamaraty em nota.
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