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Ibovespa cai 1,5%, com falta de fluxo e perdas em blue chips, mas sobe na semana

Mercado sofreu com os efeitos da queda de commodities e fechamento negativo das bolsas americanas.

Estadao Conteudo 24/07/2026
Ibovespa cai 1,5%, com falta de fluxo e perdas em blue chips, mas sobe na semana
- Foto: Reprodução

A Bolsa fechou a sexta-feira, 24, em queda de 1,52%, fragilizada pela falta de liquidez e sob o peso das perdas das ações ligadas a commodities e ao setor financeiro. Na semana, houve alta apenas na quarta-feira, mas o resultado foi suficiente para garantir um leve ganho semanal.

O sinal negativo prevaleceu no índice durante todo o dia, com uma máxima estável de 176.719,62 pontos. O Ibovespa se ressentiu não somente do recuo do petróleo, mas também da falta de fluxo, que deixou o mercado mais sujeito à volatilidade, penalizando principalmente os bancos. As bolsas americanas também não serviram de inspiração e fecharam no vermelho: o Dow Jones caiu 0,38%, a Nasdaq cedeu 2,13% e o S&P 500 recuou 0,61%.

"Juntando Vale, Petro e bancos apanhando, o Ibovespa vai para baixo", resumiu Pedro Galdi, analista da AGF, destacando que até mesmo as ações cíclicas tiveram um dia ruim, apesar da queda dos juros futuros. "O cenário hoje é uma sexta-feira tenebrosa", avaliou.

Contaminadas pelo petróleo, as ações da Petrobras PN e ON cederam 1,72% e 2,36%, respectivamente, "devolvendo um pouco da gordura, pois haviam subido bastante", diz Galdi. A commodity reagiu a informações apuradas pela Reuters sobre o Paquistão explorando um caminho para retomar as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que estão paralisadas, numa iniciativa liderada pela China. Essa perspectiva acendeu um sinal para a realização de lucros, após o barril do Brent ter fechado a US$ 100 na quinta-feira, mas a percepção é de que se trata de uma melhora frágil, diante da continuidade das ações militares de EUA e Irã no Golfo Pérsico. Mesmo assim, na semana, a commodity acumulou alta.

"Esses conflitos geram uma forte volatilidade nos contratos de petróleo e aumentam substancialmente a aversão ao risco do investidor estrangeiro. Em cenários de incerteza como esse, ocorre um movimento de fuga de capital", afirma a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, explicando que, assim, os investidores tendem a liquidar suas posições em mercados emergentes e mais voláteis, como o Brasil, migrando recursos para o mercado americano, em busca da segurança do dólar e dos Treasuries.

Ao mesmo tempo, a Vale (-0,58%) esteve debilitada pelo recuo, ainda que moderado, do minério de ferro. "Os bancos estão caindo devido à saída de fluxo estrangeiro", disse o analista Pedro Galdi. O Itaú Unibanco cedeu 1,08% e o Bradesco PN, -1,28%.

O mercado também monitorou o noticiário relacionado à nova tarifa de 12,5%, aplicada pelos EUA a produtos brasileiros, dentro das investigações sobre falhas na proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida, de certa forma, era esperada e não pesou diretamente na Bolsa, mas o risco de que o governo brasileiro aplique a Lei de Reciprocidade preocupa.

Na quinta-feira, o governo indicou que vai estudar o uso da Lei, mas o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou que isso é parte de uma estratégia para demonstrar aos norte-americanos que está disposto a adotar medidas mais drásticas, embora não necessariamente esse seja o caminho a ser seguido.

Assim, o Ibovespa fechou em queda de 1,52%, atingindo a mínima de 174.041,95 pontos, mas conseguiu acumular uma variação positiva na semana, de 0,19%. O giro financeiro foi bastante fraco, de apenas R$ 16,5 bilhões. Em julho, os ganhos do índice são de 1,17% e em 2026, de 8,02%.